Progress

Nave original 11F615A15 sem painéis solares

O TGK Progress (transportno-gruzovoi korabli, “nave de transporte de carga”) foi desenvolvido na década de 1970 na NPO Energia da URSS (com o código original 11F615A15) com base na nave espacial tripulada 7K-T Soyuz (11F615A8) para levar carga, equipamento científico, combustível e consumíveis para estações orbitais tipo de longa duração DOS (Salyut) com a finalidade de garantir as atividades da tripulação e o funcionamento dos sistemas de bordo. O lançamento e acoplamento da Progress às DOS eram realizados de forma automática. A nave não possuía – e até hoje não possui – um veículo de descida. Depois de completar o programa de vôo, ela sai da órbita e se desintegra nas densas camadas da atmosfera.

1 Antena de curta distância do sistema Igla; 2 Compartimento de carga seca; 3 Antena de loga distância móvel do sistema Igla ; 4 Compartimento de componentes de reabastecimento; 5 compartimento de instrumentos e montagens; 6 Antenas de calibração e busca do sistema Igla ; 7 unidade de acoplamento SSVP ativa.
Foguete-lançador 11A511U da Progress original; a coifa de cabeça possuía uma torre de escape inerte, apenas para manter a aerodinâmica dos foguetes da Soyuz da época

A massa total da nave era de cerca de 7.000 kg, o comprimento era de 7,92 m, o diâmetro máximo de 2,72 m, a massa total da carga entregue na estação era de 2100-2500 kg. O TKG Progress consiste até hoje em três compartimentos: de carga seca (Germetichnyy Otsek – GO), compartimento de componentes de reabastecimento (Otsek Komponentov Dozapravki – OKD) e instrumentos-e-montagens (PAO incorporando os perekhodnogo “PkhO”, intermediário, pribornogo-otsek ou de instrumentos “PO” e agregatnogo-otsek “AO”, para o propulsor principal e seus tanques).

O compartimento de carga seca hermético tinha 2,2 m de diâmetro, o comprimento com a vara de acoplagem do sistema ativo SSVP-A de encaixe estendida era de 3,15 m e o volume do casco hermético de 6,6 m3. Abrigava a carga seca a ser entregue, equipamentos, alimentos e água (até 1.300 kg no total). Após o descarregamento, o compartimento era preenchido com contêineres com resíduos e equipamentos usados.

Progress MS “11F615A60” do modelo atual

O compartimento para reabastecimento de componentes (1,7 m de comprimento) não é pressurizado e estava localizado entre o GO e o PAO da nave. Estruturalmente, o OKD foi feito na forma de duas conchas cônicas truncadas corrugadas com um diâmetro máximo de 2,1 m. Dois tanques com oxidante e dois tanques de combustível (total de 850 kg de propelentes), nitrogênio e cilindros de ar, unidades e sistemas de reabastecimento foram instalado nele. Todos os líquidos são bombeados a bordo do sistema operacional por meio de dutos especiais através da unidade de acoplamento.

Foguete Soyuz 2.1a para os modelos atuais da espaçonave

O PAO consistia nos compartimentos de transição (PkhO), de instrumentos (PO) e de “agregados” (motores) (AO), possuía diâmetro máximo de 2,72 m, comprimento de 3,1 m e destinava-se a acomodar equipamentos e unidades dos sistemas. O PkhO e o AO eram semelhantes aos compartimentos correspondentes da Soyuz usada nos anos 70 (11F615A8), exceto que apenas um conjunto de oito motores de orientação com um empuxo de 1,5 kgf cada sendo instalado no Progress. O AO estava equipado com um sistema de propulsão de mudança de órbita e de frenagem KTDU-35 com empuxo de 417 kgf e 14 motores de aproximação e orientação (DPO) com empuxo de 10 kgf cada. Dimetilhidrazina assimétrica (UDMH) e ácido nítrico (AK-27I) serviram como combustível para o motor KTDU-35. Já os pequenos proulsores DPO e DO trabalhavam com peróxido de hidrogênio em tanques separados.

Nave de carga Progress-M (modernizada a partir da nave Soyuz-T/TM)
1 – antena do equipamento de radiolocalização do sistema Kurs ; 2 – motores de aproximação e orientação; 3 – motores de correção de aproximação; 4 – compartimento de instrumentos e montagens; 5 – equipamentos do complexo de sistemas de bordo; 6 – compartimento para reabastecimento; 7 – compartimento de carga seca; 8 – unidade de acoplamento SSVP-A com a escotilha de transição.

O volume pressurizado do PO da espaçonave Progress era duas vezes maior que o da Soyuz. Abrigva dispositivos e equipamentos dos sistemas: orientação e controle da movimentação da nave, encontro e acoplagem “Igla”, radiocomunicações, telemetria, baterias elétricas e unidades automáticas para bombeamento de combustível.

Localização dos tanques e cilindros na espaçonave
1 – unidade de acoplamento SSVP-A, 2 – compartimento pressurizado, 3 – tanques e cilindros do sistema de reabastecimento, 4 – compartimento de propelentes para reabastecimento, 5 – compartimento de instrumentos, 6 – compartimento de agregados (motores e tanques).

O recurso do cargueiro era limitado pela capacidade das baterias de armazenamento e assim ele foi projetado para um voo autônomo de até 4 dias e até 60 dias como parte do complexo espacial. Houve 43 lançamentos da espaçonaves Progress originais no total, e todos eles foram bem-sucedidos.

Nave Progress M, usada a partir da estação Mir

O veículo de transporte aperfeiçoado Progress M foi introduzido em 1989 para servir à estação orbital Mir, e tem maior manobrabilidade, capacidade de carga e duração de operação no espaço, o que permite a realização de experiências científicas tanto no interior do complexo como em voo autônomo. Durante sua criação, os sistemas de bordo da espaçonave Soyuz TM foram usados: o sistema de rádio-localização Kurs e sistema de acoplamento, o sistema de controle de movimento (sistema upravleniya dvizheniyem – SUD), o sistema de propulsão SKD e um par de baterias solares. A transição final para o sistema Kurs reduziu significativamente o consumo de combustível em missões para a estação Mir. A vida útil da espaçonave aumentou significativamente: ela pode permanecer acoplada por até 180 dias e em vôo autônomo por até trinta. A espaçonave passou por outras iterações (Progress M1, Progress M-zero-M e atualmente Progress MS); o modelo MS (modifikatsiya sistema, sistemas modificados, tal como com a Soyuz MS).

As Progress foram e são usadas em uma série de missões, como transporte de módulos para a estação espacial, ou como rebocador para remover compartimentos do complexo. É um veículo extremamente versátil e a espaçonave de carga mais usada na história. Aqui a Progress MS-16 rebocando o compartimento Pirs para longe da ISS.

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