Progress-MS: nave-cargueira russa

Espaçonave transportadora descartável

Progress MS

A nave espacial Progress MS é resultado de uma atualização radical das naves Progress M e Soyuz TMA. O sistema de rádio a bordo Kvant-B foi substituído por um sistema integrado de comando e telemetria – com um canal de telemetria adicional. O novo link de radiocomando recebe sinais através dos satélites Luch-5, graças aos quais a zona de cobertura de rádio aumentou significativamente até 70% de uma órbita.

A nave está equipada com um avançado sistema para localização e acoplagem Kurs-NA. Em comparação com a versão anterior (Kurs-A), melhorou as características de dimensões e massa e permitiu-se excluir uma das três antenas de rádio do equipamento. Em vez do sistema de TV analógico Klyost, a nave espacial usa um sistema de TV digital (Klyost-M), que permite manter a comunicação entre a nave espacial e a estação através do sistema de comunicação nave-a-nave.

O equipamento de bordo da Progress MS inclui uma nova unidade de controle de circuito de backup digital desenvolvida pela RKK Energia, uma unidade de sensor de taxa (rate sensor) BDUS-3A atualizada e um farol de LED chamado SFOK. Graças ao uso dos novos sistemas de rádio, tornou-se possível usar protocolos de transmissão de dados de última geração, o que resultou em uma melhor estabilidade operacional do sistema de controle da espaçonave.

Herança de quatro décadas

Em 20 de janeiro de 1978, o primeiro veículo de carga automático Progress-1 (máquina 11F615-A15 №102) foi lançado pelo foguete Soyuz-U № E15000-75 para acoplar com a estação orbital Salyut-6. O desenvolvedor e fabricante do veículo espacial Progress é a hoje Energia Rocket and Space Corporation em homenagem a S.P. Korolev (Raketno-Kosmicheskaya Korporatsiya Enérguiya, ex-TsKBEM nos anos 60 e a partir de 1978 NPO Energia). A nave de transporte automático de carga Progress-1 foi desenvolvida com base na espaçonave tripulada Soyuz, a fim de aumentar a duração da operação das estações orbitais e garantir voos de longo prazo para as suas tripulações.

Progress original

O Progress (11F615A15) foi desenvolvido na década de 1970 na NPO Energia com base na nave 7K-T Soyuz (11F615A8) para transportar carga, equipamento científico, combustível e suprimentos para estações orbitais DOS (Salyut) para garantir as atividades da tripulação e o funcionamento dos sistemas de bordo. O lançamento e acoplamento do Progress a Salyut eram realizados de forma automática. A nave não possuía veículo de descida. Depois de completar o programa de vôo, ela saiu de órbita era destruída nas densas camadas da atmosfera.

A massa total da Progress era de cerca de 7000 kg, o comprimento era de 7,92 m, o diâmetro máximo de 2,72 m, massa total da carga de 2100-2500 kg. O Progress consistia em três compartimentos: carga (gruzovoy otsek – GO), compartimento de componentes de reabastecimento (otseka komponentov doza­pravki – OKD) e compartimento de instrumentos e serviço (priborno-agregatnogo – PAO).

O compartimento de carga hermético tinha 2,2 m de diâmetro, comprimento de 3,15 m e volume de 6,6 m 3. Abrigava carga seca a ser entregue à estação, equipamentos, alimentos e água (até 1.300 kg no total). Após o descarregamento, o compartimento era preenchido com contêineres com resíduos e equipamentos usados.

O compartimento para reabastecimento de componentes (1,7 m de comprimento) era aberto ao vácuo e estava localizado entre o GO e o PAO. Estruturalmente, o OKD foi feito na forma de duas conchas cônicas truncadas com um diâmetro máximo de 2,1 m. Dois tanques com oxidante (tetróxido de nitrogênio) e dois com combustível – dimetil hidrazina assimétrica (num total de 850 kg de propelentes), cilindros de nitrogênio e ar, unidades e sistemas de reabastecimento foram instalado nele. Todos os líquidos eram bombeados a bordo da estação por meio de dutos especiais através da unidade de acoplamento.

O PAO consistia em compartimentos de transição (PkhO), de instrumentos (PO) e de motor (AO), possuía diâmetro máximo de 2,72 m, comprimento de 3,1 m e destinava-se a acomodar equipamentos e unidades dos sistemas. Os PkhO e AO eram semelhantes aos compartimentos correspondentes da Soyuz 7K-T (11F615A8), exceto que apenas um conjunto (8 unidades) de motores de orientação com empuxo de 1,5 kgf cada foi instalado no Progress. O AO estava equipado com um sistema de manobra orbital e de frenagem KTDU-35 com empuxo de 417 kgf e 14 motores de acoplagem e orientação (DPO) com empuxo de 10 kgf cada. Dimetilhidrazina assimétrica (UDMH) e ácido nítrico (AK-27I) serviam como propelente para KTDU-35. Os DPO e DO trabalhavam usando peróxido de hidrogênio como combustível.

O compartimento de instrumentos da espaçonave Progress era duas vezes maior que o da Soyuz. Abrigava instrumentos e equipamentos de sistemas: orientação e controle da movimentação, encontro e acoplagem (“Igla”), radiocomunicações, telemetria, fonte de alimentação e unidades automáticas para bombeamento de combustível.

O recurso da Progress era limitado pela capacidade das baterias elétrica e foi projetado para um voo autônomo de até 4 dias e até 60 dias como parte do complexo. Houve 43 lançamentos da espaçonave Progress original, e todos eles foram bem-sucedidos.

Progress M

O veículo de transporte aperfeiçoado Progress M teve maior manobrabilidade, capacidade de carga e duração da operação no espaço, o que permitiu a realização de experimentos científicos tanto no interior do complexo como em voo autônomo.
Durante sua criação, os sistemas de bordo da espaçonave Soyuz TM foram usados: o complexo radiotecnico de aproximação Kurs, um sistema de controle de movimento (sistema upravleniya dvizheniyem – SUD), e o sistema de propulsão e baterias solares. A transição final para o sistema Kurs ao inves do antigo Igla reduziu significativamente o consumo de combustível da estação orbital Mir.

A vida útil da espaçonave aumentou significativamente: ela podia permanecer no complexo espacial por até 180 dias e em vôo autônomo por até 30 (a capacidade do antigo Progress era de 90 e 4 dias, respectivamente).

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