Innospace se pronuncia sobre cancelamento do HANBIT-TLV

Problema foi na segurança no polígono de lançamento

A equipe da Innospace da Coréia do Sul anunciou em suas redes sociais hoje, 22 de dezembro de 2022, que “… devido a erro em um sistema de gerenciamento de segurança, encontrado após a conclusão dos preparativos de decolagem do HANBIT-TLV, a tentativa de lançamento não foi realizada dia 21, infelizmente. Após verificações com a Força Aérea Brasileira, a nova janela de lançamento pode ser definida. Fiquem atentos às atualizações.”

O voo de teste do foguete Hanbit-TLV deveria ocorrer a partir do centro espacial de Alcântara, no Maranhão, entre as 06:00 e 08:00 de quarta-feira, dia 21. Seria a terceira tentativa desde segunda-feira, ocasião em que foi adiada pela primeira vez devido às condições meteorológicas no Centro Espacial de Alcântara no Maranhão; na segunda vez, terça-feira, um defeito numa valvula de regulagem de temperatura (ou uma leitura incorreta de transdutor) do sistema de pressurização do oxigênio líquido levou a mais um adiamento.

Na manhã da própria quarta-feira, a Força Aérea anunciou que uma “questão de ordem técnica” impediu o lançamento, e que profissionais da empresa sul-coreana estavam conduzindo avaliação técnica para que o problema fosse sanado “… e, com segurança, o lançamento possa ser efetuado em data a ser definida.”

Segurança é rígida nas operações de lançamento

Visão artística simplificada e fora de escala de um arranjo de complexo de lançamento hipotético em Alcântara

A equipe de comando da operação de lançamento é responsável por receber e analisar a telemetria do foguete, dos circuitos de solo e da plataforma de lançamento em si, para determinar se, por seu lado, é seguro prosseguir com a contagem regressiva. No caso do HANBIT, esse comando fica a cargo dos engenheiros da Innospace, com uma linha direta de acompanhamento com o pessoal da Força Aérea, que é responsável pela integridade do centro espacial.

A segurança do perímetro é garantida por um sistema que protege pessoas e prédios tanto no entorno do foguete quanto no sob sua trajetória de voo. Pode ser acionada antes, durante ou depois da decolagem. Normalmente, permite-se que, uma vez no ar, o foguete continue em sua trajetória mesmo que esteja apresentando pane, de modo a preservar as instalações de lançamento (isso depende do tipo de avaria, da direção em que o foguete se encontra e de outras especificações particulares a cada veículo ou centro espacial). Para um veículo considerado ‘fora de curso’, a segurança pode ser implementada comandando o desligamento dos motores ou acionando um sistema de terminação de voo independente, que possui transceptores redundantes no foguete. O sistema de terminação (autodestruição) normalmente tem explosivos que rompem os tanques e levam à natural desintegração com o estresss aerodinâmico, ou com um comando que cancele o empuxo e acarrete a natural destruição do lançador apenas na queda.

Concepção do foguete decolando da plataforma modular CLS, no centro de lançamentos de Alcântara

Nem todos os programas espaciais usam sistemas de terminação de voo, como por exemplo a Rússia, que devido ao fato de que seus locais de lançamento sejam localizados em enormes áreas desérticas, simplesmente permite-se que o foguete desligado caia no chão ou no mar. As tarefas executadas por operações de segurança do polígono referem-se às areas de perigo, para divulgar e implementar áreas de perigo (NOAM/NTN), executar vigilância, e garantir os espaços aéreo, marítimo e espacial para evitar colisões. Um centro de lançamentos normalmente tem um Chefe de Segurança de Perímetro, (cargo com várias designações, dependendo da nação ou operador responsável – por exemplo o termo inglês “Range Safety Officer”). Durante lançamentos, o chefe de segurança pode tomar medidas de cancelamento do voo se houver violação dos critérios de segurança estabelecidos (violação da área permitida de destruição), voo errático óbvio do foguete, ou uma falha de telemetria (perda de contato de rádio).

segundo a Innospace, o problema de terça-feira ocorreu numa válvula de regulagem de temperatura no bloco da bomba elétrica que injeta o fluido oxidante (oxigênio líquido, no tanque azul) na câmara do combustível sólido à base de parafina (recipiente amarelo), e que fica entre os dois.

O Chefe de Segurança de Perímetro avalia o risco de cada operação no polígono de lançamento. A realização de avaliações de risco pela analise de dados meteorológicos, por exemplo, permite que o Chefe de Segurança garanta a segurança do pessoal do governo e da população civil. Geralmente, os sistemas que fornecem dados incluem uma rede de torres meteorológicas com sensores de vento, temperatura e ponto de orvalho em vários níveis e uma rede de perfis de vento por radar com sistemas de sondagem radioacústica. Todas relatam vento, temperatura e ponto de orvalho, a cada minuto ou a cada cinco minutos. O grupo de segurança do local de lançamento deve controlar os perigos potenciais para as operações e deve direcionar ações de proteção e pode interromper as operações, se necessário, em um momento apropriado. O equipamento de teste e os dispositivos de medição usados devem ser calibrados para garantir que o equipamento aplicável esteja dentro do limite de calibração, verificando os rótulos, etc. Além disso, verifica-se se o equipamento de teste e os dispositivos de medição estão em conformidade com sua configuração de uso e se funcionam adequadamente antes do uso.

Este seria o perfil de voo balístico do HANBIT-TLV, com uma ascenção vertical seguida de uma curva balística sobre o Oceano Atlântico

O Hanbit-TLV, um veículo de teste, é um foguete de estágio único de 16,3 metros projetado para verificar o desempenho de seu motor de foguete tipo híbrido de 15 toneladas-força de empuxo desenvolvido pela Innospace. O foguete deveria ser lançado a uma altitude de 100 quilômetros em um teste suborbital.

Compressor da bomba elétrica de oxigênio líquido desenvolvida pela empresa sul-coreana

O uso de bomba elétrica é utilizado por outras empresas que trabalham com foguetes de pequeno porte, como a Astra americana e a Rockelab neozelandesa-americana. Ao contrário das máquinas tradicionais que usam propelente sangrado do circuito de alimentação para girar o eixo da bomba, por vezes equipados com um pre-queimador ou um gerador de gás em sua forma mais simples [*], o design puramente elétrico oferece simplicidade de construção e ciclo de funcionamento, ainda que limitado a potências menores. A INNOSPACE desenhou sua bomba elétrica de oxigênio líquido usando impressão 3D para o compressor centrífugo e sua caixa.

A empresa sediada em Sejong pretende desenvolver o primeiro lançador de satélite comercial privado da Coréia do Sul, o Hanbit-Nano, com dados coletados deste lançamento de teste. O Hanbit-Nano será um foguete de dois estágios equipado com um motor híbrido de 15 toneladas, alimentado por combustível sólido e um oxidante líquido.

[*]Outros motores usam um gerador de vapor, funcionando com produtos como o peróxido de hidrogênio, para tocar a turbobomba. É um sistema dissociado dos fluidos propulsores e por carregar um tanque próprio, é mais pesado.

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Autor: homemdoespacobrasil

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