ABL adia lançamento de seu ‘RS-1’

Empresa americana esperava colocar dois satélites em órbita em seu voo inaugural

Foguete sendo erguido na plataforma em Kodiak.

Após um adiamento na última segunda-feira, 14 de novembro, a ABL Space Systems, nova empresa de lançamento espaciais comerciais, adiou novamente a decolagem de seu primeiro foguete RS-1 Demo-1 hoje, 17 de novembro de 2022. O foguete decolaria às 19:55 de Brasília da LP-3C do Pacific Spaceport Complex na Ilha Kodiak, mas um programa não especificado durante a fase final de contagem regressiva forçou ao cancelamento.

Os satélites a bordo, Varisat 1A e 1B, pertencem à OmniTeq, uma empresa com sede no Texas que planeja uma constelação aparelhos para oferecer serviços de comunicações marítimas. Os dois satélites testarão a operação da carga útil de comunicações de radiofrequencia. A missão também deve demonstrar a ignição do OmniTeq Equalizer, um motor projetado para colocar um CubeSat em órbita em lançamentos cooperativos de pequenos satélites e compativel com vários tipos de foguetes. Os satélites pesam cerca de 22 quilos, de acordo com uma declaração para a FCC pela OmniTeq.

O cronograma da missão previa

  • T-00:02: Ignição dos motores do primeiro estágio
  • T+00:00: Decolagem
  • T+01:17: Mach 1 (foguete em regime supersônico)
  • T+01:35: Max-Q (pressão aerodinâmica máxima)
  • T+02:38: MECO (desligamento dos motores principais)
  • T+02:44: Separação do 1° estágio
  • T+02:46: Ignição do segundo estágio
  • T+03:14: Separação da carenagem de carga útil
  • T+09:46: SECO (corte do motor do segundo estágio)
  • T+12:31: Primeira separação de carga útil
  • T+14:10: Separação da segunda carga útil
resumo do lançamento

O foguete

O RS1 (de 27 metros de comprimento e 1,8 m de diâmetro) pode usar dois tipos de combustíveis, ou seja, querosene RP-1 ou querosene Jet-A, dos quais o último está disponível em aeródromos em todo o mundo – e um único oxidante, oxigênio líquido (LOX). O E2 é um motor com gerador a gás, produzindo 5.488 kgf (58,32 kiloNewtons) de empuxo, com nove unidades no primeiro estágio, totalizando 60.381,3 kgf (529,11 kN) de empuxo. O primeiro estágio é semelhante ao Falcon 9 da SpaceX, Electron da Rocket Lab e o Terran 1 da Relativity Space. O segundo estágio do RS1 usa uma única versão otimizada para vácuo do E2, produzindo 5.896,7 kgf (57,82 kN) de impulso. O primeiro estágio funciona por cerca de dois minutos e meio, e depois deve cair no Oceano Pacífico, dando lugar ao estágio superior movido pelo único motor E2. A carenagem de cabeça do foguete será descartada após mais de três minutos de vôo, e o motor do estágio superior desligaria quase 10 minutos após a decolagem. Se tudo correr conforme o planejado, dois satélites da OmniTeq serão ejetados a 12 e 14 minutos após o lançamento. A órbita-alvo dos satélites-clientes tem um apogeu de 350 quilômetros, perigeu de 250 km e inclinação de 87,3 graus em relação ao equador, de acordo com um briefing da ABL. Após a liberação, como parte dos testes, está prevista a reativação do segundo estágio do RS1 para arredondar a órbita para 350 x 350 km.

O lançador destina-se a colocar até 1.000 quilos em órbitas sincronizadas com o sol por US$ 12 milhões por lançamento. A empresa anunciou em agosto que garantiu US$ 44,5 milhões em contratos da Força Aérea dos EUA para demonstrações , bem como US$ 49 milhões em financiamento privado. O preço planejado para cada lançamento é de US$ 12 milhões.

A ABL produziu uma estrutura modular de sistema de suporte de solo que exige apenas uma pista concretada para nela dispor seus elementos de suporte ao foguete, como geradoes, condicionadores, tanques, sistemas de alimentação, telemetria, ligação umbilical, circuitos de gás e fluidos.

Embora a empresa ainda não tenha lançado um RS1, ela conseguiu arrecadar dinheiro e conquistar clientes. A ABL levantou $ 200 milhões em outubrode 2020 , uma extensão de uma rodada da Série B de $ 170 milhões que levantou sete meses antes. A empresa disse que a última rodada financiaria o aumento da produção do RS1. A Lockheed Martin assinou um contrato em abril de 2021 para até 58 lançamentos do RS1 na próxima década e selecionou separadamente a ABL para realizar seu lançamento do “UK Pathfinder” para o governo britânico a partir de um espaçoporto nas Ilhas Shetland. A Amazon assinou um contrato com a ABL em novembro para lançar dois protótipos de satélites para sua megaconstelação de banda larga do Projeto Kuiper.

O foguete tem dois estágios e uma carenagem de cabeça em alumínio

Fundada em 2017, a ABL está sediada em El Segundo, Califórnia, e é apoiada por fundos de capital de risco e dinheiro da Lockheed Martin. A empresa relatou uma avaliação de US$ 2,4 bilhões no ano passado durante sua mais recente rodada de arrecadação de fundos, com uma carteira de pedidos de mais de 75 missões, principalmente um contrato de até 58 lançamentos da Lockheed Martin. A ABL também tem contrato para lançar uma pequena missão de demonstração de tecnologia de satélite da NASA e é uma das treze empresas na lista de oferecedores da agência para serviços de lançamento de classe de risco. A Força Espacial dos EUA adicionou a ABL à sua lista de onze empresas elegíveis para ganhar contratos para lançar pequenas cargas úteis de satélites militares durante um período de nove anos.

Motor E2 tem construção simples e filosofoa de funcionamento tradicional, com turbogerador de gás para mover as bombas de propelente, e funcionando em ciclo aberto com a saída dos gases de gerador posicionada ao lado da tubeira

O Electron da Rocket Lab, o LauncherOne da Virgin Orbit e o Rocket 3 da Astra têm capacidades de carga menores. (A Astra aposentou seu Rocket 3 e agora está desenvolvendo um foguete maior, o Rocket 4).

A empresa vinha fazendo testes de desenvolvimento de seus motores em preparação para o voo inaugural. Antes, o segundo estágio do veículo de lançamento foi destruído em um acidente durante um teste em 19 de janeiro de 2021. Observadores no Mojave Air and Space Port, na Califórnia, relataram ter ouvido um estrondo por volta das 16h30 do leste, seguido por uma nuvem de fumaça preta. A pluma, visível em toda a área, inclusive por câmeras que fazem parte de uma rede de rastreamento de incêndios florestais, se dispersou em 20 minutos. Não houve relatos de feridos. O aeroporto, que também possui uma licença de espaçoporto da Federal Aviation Administration, abriga várias empresas que realizam disparos de motores e outros testes. Fontes da indústria disseram que o incidente parecia estar em um local usado pela ABL Space Systems . Dan Piemont, presidente da ABL , confirmou que o incidente ocorreu . “Esta tarde, perdemos o Estágio 2 do RS1 em uma anomalia de teste”, disse ele ao SpaceNews. “Todos estão seguros e a equipe fez um trabalho admirável analisando a anomalia e trabalhando para proteger a bancada de testes.”

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Autor: homemdoespacobrasil

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