Americanos lançam seu foguete lunar com sucesso

O SLS decolou do Cabo Canaveral para levar a nave Orion para voo à Lua

Foguete SLS n° 01 decolou com a espaçonave Orion 001 de Cabo Canaveral para um voo sem falhas, e a nave já está em trajetória de escape para a Lua

Os Estados Unidos lançaram hoje de madrugada o primeiro foguete lunar SLS (n° 1) com a espaçonave Orion para a primeira missão (Artemis I) de teste em torno da Lua visando pousar astronautas lá nos próximos anos. O foguete de 2.603 toneladas e 98,26 metros de comprimento decolou da plataforma 39B do Centro Espacial Kennedy às 01h47 horário local de 16 de novembro de 2022 (03h47 horário de Brasília). Cerca de oito minutos após, os motores do estágio central (CS) foram desligados e este se separou do resto do foguete. Depois, a espaçonave foi impulsionada pelo motor RL-10 do Estágio Interino de Propulsão Criogênica (ICPS). A nave então estendeu seus quatro painéis solares. Depois de completar a “injeção translunar” – TLI, a agência espacial americana NASA anunciou que a Orion se separou do ICPS e seguiu a caminho da órbita lunar.

Uma vez em trajetória inicial em torno da Terra a manobra de elevação do perigeu foi concluída com sucesso. O estágio criogênico ICPS disparou por pouco mais de 20 segundos para elevar o ponto mais baixo da órbita em preparação para a ignição de injeção translunar que enviou a nave para a Lua. A ignição de injeção translunar (TLI) estava prevista para cerca de 03h14 EST (04:14 Brasilia) e duraria cerca de 18 minutos.

Câmeras montadas nos paínéis solares fizeram imagens dao veículo espacial em voo, mostrando o estágio ICPS ainda acoplado

O estágio ICPS completou sua ignição de TLI e a espaçonave se separou dele, disparando então seus propulsores auxiliares para se mover a uma distância segura do estágio esgotado e continuar a caminho da Lua, para entrar em uma órbita retrógrada elíptica chamada DRO – com perigeu de 99,7 km e apogeu de 64.373 km. A bordo da cabine estão três manequins que serão utilizados, em particular, para medir o nível de radiação durante o voo.

A espaçonave permanecerá nesta órbita por cinco dias, atingindo uma distância máxima de 480.500 quilômetros. Em seguida, sairá de órbita e retornará , pousando na costa de San Diego, Califórnia, às 12h40 do leste (11:40 de Brasília) de 11 de dezembro. A missão de 25 dias é considerada um voo de “classe de curta duração”, contra as missões de até 42 dias que a Orion teria voado nas duas tentativas anteriores de lançamento. A missão ainda atingirá todos os objetivos do teste, mas em um prazo mais curto. “Fizemos provas de conceito desde o início para demonstrar que se pode encaixar todos os objetos do programa na missão de classe mais curta”, disse Emily Nelson, diretora-chefe de voo da NASA, em uma entrevista em 14 de novembro. “

Outra cena de câmeras externas no casco mostra a espaçonave em outro âmgulo
Configuração do foguete na missão Artemis I

Inicialmente, o lançamento estava planejado para ocorrer no verão, mas os especialistas da agencia espacial americana encontraram pela primeira vez um vazamento de hidrogênio em um dos motores do foguete. Em seguida, vários furacões atingiram o estado da Flórida. Isso obrigou os especialistas da NASA a trazer de volta o foguete, montado desde 2021, ao hangar VAB para protegê-lo do mau tempo.
A NASA anunciou na primavera de 2019 que o programa de pouso de astronautas na Lua inclui três etapas. A primeira é o lançamento usando o novo veículo de lançamento Sistema de Lançamento Espacial com a nave Orion, que em modo não tripulado fará várias órbitas ao redor da Lua e retornará à Terra. A segunda é um voo ao redor do satélite natural com tripulação a bordo. Na terceira fase, em 2025, a NASA espera levar astronautas à Lua; Depois, com o prosseguimento dos voos, enviá-los a Marte em meados da década de 2030.

Resumo do lançamento

O foguete SLS n°1 foi composto por:

  • dois ‘boosters’ de propelente sólido de cinco segmentos, RSRMV-1L e RSRMV-1R, com massa de lançamento de 726 toneladas, desenvolvidos pelo MSFC e Northrop Grumman/Utah.
  • o estágio ‘Core’, CS-1 desenvolvido pela Boeing, com massa seca de 99,3 toneladas, 1.102 toneladas abastecido. Usa quatro motores RS-25 remodelados, os n°1 – ‘2045’, n°2 – ‘2056’, n°3 – ‘2058’ e n°4 – ‘2060’.
  • o Launch Vehicle Stage Adapter (LVSA), conectando o CS ao estágio ICPS. Tem uma massa de 4,5 toneladas e é construído pela Teledyne Brown (Huntsville). O LVSA permanece anexado ao CS-1.
  • o Estágio Interino de Propulsão Criogênica (ICPS), ICPS-1, com um motor RL10B-2 funcionando a LOX/LH2. O ICPS é um Delta Cryogenic Second Stage (DCSS) de 5 metros de diâmetro modificado do lançador Delta IV e é construído pela ULA. Massa seca de 3,8 toneladas; 32,7 toneladas abastecido.
  • o Orion Stage Adapter (OSA), uma seção cilíndrica de 800 kg que permanece acoplada ao ICPS-1 e contém dez cubesats que serão ejetados após o lançamento.
O SLS Block I número 1 é composto pelo estágio central CS-1, os ‘boosters’ RSRMV-1L e RSRMV-1R e o estágio superior ICPS n°1. Já a nave espacial Orion será composta pela cápsula Crew Module CM n° 002 e o Módulo de Serviço Europeu ESM-001Bremen’.

A nave espacial Orion Multi-Purpose Crew Vehicle (MPCV) consiste em:

  • o Launch Abort System (LAS), consistindo para este voo de um ‘Abort Motor’ fictício, um ‘Attitude Motor’ fictício, um ‘Jettison Motor’ ativo e um cone de nariz cobrindo o módulo da tripulação. Massa de 7 toneladas.
  • o Orion Crew Module CM n° 002, com três manequins instrumentados para monitorar exposição à radiação, aceleração, temperatura, etc. Construído pela JSC e Lockheed Martin com uma massa de 10,4 toneladas.
  • módulo de Serviço Europeu ESM-001 “Bremen”, com motor OME s/n° 111, que voou pela primeira vez em um casulo OMS na missão Shuttle 41-G. Construído pela Airbus, massa seca em torno de 4,9t, com 14 toneladas de combustível. Inclui o Crew Module Adapter (CMA) (cerca de 200 kg) que o conecta ao CM.
  • painéis do Adaptador Jettison (SAJ) n° s 1 a 3, cada um com massa de cerca de 433 kg.
  • Cone Adaptador de Nave Espacial (SAC), conectando o ESM ao OSA, com massa 450 kg. O SAC permanece com o OSA/ICPS após a separação da Orion.
Imagem mostrando o descarte do estágio ICPS após a separação, enquanto a Orion seguia para voo lunar. O estágio esgotado vai entrar numa órbita heliocêntrica.
Configuração antes da separação do ICPS, durante a ignição de injeção trans-lunar
Configuração depois da separação do estágio ICPS

O voo da espaçonave pode ser acompanhado em tempo real através do site trackartemis.

O SLS é um foguete derivado do space shuttle , com o primeiro estágio (estágio central, estágio de núcleo, “core stage” em inglês) sendo alimentado por motores RS-25 e dois propulsores auxiliares. O estágio superior está sendo desenvolvido a partir da variante interina ICPS (interim cryogenic upper stage) do Block 1 para uma variante do Block 2, o Exploration Upper Stage, EUS – Estágio Superior de Exploração.

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Autor: homemdoespacobrasil

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