Brasil lança foguete para experimentos de microgravidade

VSB-30 V29 decolou de Alcântara

Foguete decolou de Alcântara para voo suborbital
Camapanha de lançamento Santa Branca

No Dia do Aviador e Dia da Força Aérea Brasileira, 23 de outubro de 2022, engenheiros do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, lançaram o foguete-portador suborbital VSB-30, carregando a Plataforma Suborbital de Microgravidade PSM, desenvolvida pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).O foguete decolouàs 14:20 hora de Brasília e atingiuapogeu de 227 km a T+ 4 min 1 s, e o voo durou 7 minutos e 44 segundos. A cabeça de carga útil caiu a 185 quilômetros da costa, e militares da FAB, num esquadrão de helicópteros, recuperaram o dispositivo no oceano Atlântico. A campanha de lançamento foi batizada Operação Santa Branca. O veículo VSB-30 V29 foi composto pelos dois estágios de propulão e o módulo de carga útil do Modelo de Qualificação da Plataforma Suborbital de Microgravidade (MQ-PSM). Como parte da carga alojada na cabeça, estava instalado o experimento científico Forno Multiusuários, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). “O Brasil já poderá prover, de forma autônoma, serviços de experimentação em ambiente microgravidade, usando o Centro Espacial de Alcântara, o foguete VSB-30 e a PSM. Abriremos, também, um mercado para a indústria espacial brasileira, para os empreendedores e para as Instituições de Ciência e Tecnologia”, explicou o presidente da AEB.

Fooguete VSB-30

Pesquisa em microgravidade

Recuperação de carga útil no oceano

O Programa Microgravidade foi criado em outubro de 1998, por meio da Resolução nº 36, do Conselho Superior da AEB. Teve sua última reestruturação em janeiro de 2015. O objetivo é viabilizar a realização de experimentos científicos e de desenvolvimento tecnológico, por meio de seleção, com base no mérito científico-acadêmico-tecnológico, de propostas submetidas a Anúncios de Oportunidades (AOs). APSM foi desenvolvida por meio de uma parceria entre a Agência Espacial Brasileira, aOrbital Engenharia, a Financiadora de Estudos e ProjetosFinepe oIAE.Após a qualificação, a plataformajá poderá ser utilizada para experimentos em microgravidade. “Ressalta-se que desde a concepção da PSM, houve intensos esforços de desenvolvimento de tecnologia no mercado nacional. Há interesse em prover serviços de experimentos em microgravidade no Brasil”.

A PSM é composta pelomódulo de controle, módulo de gás frio e módulo de recuperação sendo uma caixa hermética que tem compartimentos pressurizados ou vazados, e que permite a opção de serviço tardio em condições especiais. Cada módulo a ser montado nas gavetas de experimentos pode ter uma massa de até 30 kg, com um total de até 60 kg para configuração mínima e de até 75kg para outrasb configurações. O compartimento na configuração básicaé um cilindro de 6 metros de comprimento e 43,8 centímetros de diâmetro dependendo da quantidade de módulos montados. A PSM é uma estrutura de suporte físico e alimentação de energia para os experimentos modulares transportados, e possui um sistema integrado de telemetria que faz a transmissãode dados do voo e da situação dos experimentos, e representa a estréia do Brasil na construção deste tipo de plataforma – pois ante hoje o país usava a plataforma “MicroG” desenvolvida pela agência espacial alemãDLR.

Comitiva oficial de autoridades presentes ao lançamento

Segundo a mídia oficial do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação,o MinistroPaulo Alvim e comitiva composta de diretores, secretários e chefes de gabinetes, assistiu ao lançamento em Alcântara, junto com o presidente da Agência Espacial Brasileira Carlos Augusto Teixeira de Moura. “Primeiramente, temos que comemorar o sucesso da Operação Santa Branca. É motivo de orgulho vermos a competência dos profissionais brasileiros, que não desistiram do sonho de realizar lançamentos aqui no CLA. O VSB-30 é um foguete brasileiro e, isso será o início de um ciclo de muitas conquistas que, com certeza, virão”, disse o ministroAlvim. “A Operação Santa Branca se concretizou com sucesso. Houve uma grande preparação com as equipes do Instituto de Aeronáutica e Espaço e da Empresa ORBITAL, que fizeram a PSM, um experimento que estamos em processo de homologação. Foram meses de preparação para esse momento e, para nós do CLA, é uma sensação de dever cumprido. Agora temos todos os dados necessários para apresentar às empresas lançadoras”, relatou o Diretor do CLA, Fernando Benitez Leal.

As pesquisas conduzidas em ambientes de microgravidade geralmente se concentram em aparelhos instalados em espaçonaves em órbita. No entanto, experimentos em ambientes de baixa gravidade estão produzindo cada vez mais dados científicos – desde a expansão da compreensão da composição microbiana até a criação de materiais eficientes e adaptados para aplicações cotidianas. Veículos suborbitais comerciais estão se tornando plataformas comuns para pesquisa em muitas áreas, incluindo física fundamental. O surgimento de plataformas comerciais de pesquisa suborbital está permitindo acesso sem precedentes ao ambiente espacial para cientistas, pesquisadores e estudantes conduzirem pesquisas de ponta. Unicamente, provedores suborbitais comerciais podem oferecer a pesquisadores e cientistas vários minutos de microgravidade de alta qualidade, acesso à carga no mesmo dia, flexibilidade de instrumentos e cadência de voo frequente a um custo significativamente reduzido.

Segurança no polígono de lançamento

“A fim de garantir o total sucesso da Operação Santa Branca, diversas medidas de segurança foram tomadas. Para a população que mora na região do CLA, a FAB emitiu comunicados alertando toda a população. Além disso, pescadores e ribeirinhos foram orientados quanto a pesca no local. O mesmo cuidado foi feito com relação ao espaço aéreo, que estava bloqueado para voos na região. De acordo com o Tenente-Coronel Engenheiro Rogério Moreira Cazo, a segurança é o item fundamental para o sucesso da operação. Na questão orgânica, o Grupo de Segurança e Defesa (GSD) fez toda a escolta do foguete até chegar à área de integração do veículo. “Fizemos toda vigilância de área, com o controle de acesso e de imagens. Fizemos um trabalho perimetral com a colocação de barreiras que pudessem garantir a total segurança de todas as pessoas”, explicou o oficial. Já com relação à segurança do lançamento, o cuidado foi criterioso, principalmente pelo fato de, aproximadamente, 95% da carga ser composta por combustível. Nessa questão, o Tenente-Coronel Moreira relatou que o foguete do Programa Espacial Brasileiro trabalha com combustível sólido, assim, para evitar incidentes, foram realizados testes de descargas eletrostáticas e o isolamento total da aérea de lançamento. “Fizemos o monitoramento de todas as questões possíveis que poderiam ocorrer e eliminamos todas elas. Além disso, nos resguardamos para que qualquer situação fosse resolvida e sanada. Com todos esses cuidados, atingimos o nosso objetivo e a missão foi um sucesso”.

VSB-30

O veículo de sondagem VSB-30 é um foguete suborbital com dois estágios de propelente sólido com capacidade de transportar cargas úteis científicas e tecnológicas de 400 kg, para experimentos na faixa de 270 km de altitude. Para experimentos em ambiente de microgravidade, o foguete permite que a carga útil permaneça cerca de seis minutos acima da altitude de 110 km. O VSB-30 surgiu de uma consulta do Centro Espacial Alemão (DLR) ao Instituto de Aeronáutica e Espaço do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial DCTA sobre a possibilidade de desenvolver um propulsor a ser utilizado como booster (motor de decolagem) para o veículo de sondagem VS-30, de forma a incrementar sua performance para emprego no Programa Europeu de Microgravidade e do interesse da Agência Espacial Brasileira em desenvolver experimentos na área de microgravidade. O seu desenvolvimento iniciou em 2001 e o primeiro voo ocorreu em 23 de outubro de 2004, de Alcântara , durante a Operação Cajuana. Sua primeira missão operacional ocorreu em novembro de 2005, quando o VSB-30 V02 decolou de ESRANGE , na Suécia, levando a carga TEXUS 42 . O processo de certificação do VSB-30 ocorreu junto ao Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), este que é Órgão Certificador Espacial (OCE) delegado pela AEB.

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Autor: homemdoespacobrasil

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