Russos lançam satélite de Angola

Foguete Proton-M com o ‘Angosat-2’ decolou de Baikonur

O Proton decola da plataforma 81/24 do cosmódromo de Baikour, no Cazaquistão

O satélite angolano geoestacionário de telecomunicações Angosat-2 foi lançado, hoje 12 de outubro de 2022 às 15:00 UTC (12:00 hora de Brasília), pelo foguete Proton-M n° 93571/estágio DM-03 a partir do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. O foguete russo de 700 toneladas e 59,23 metros de comprimento decolou da plataforma 81/24 e cerca de 9 minutos e 45 segundos depois a combinação satélite/estágio superior DM-03 entrou na órbita inicial -para então prosseguir com as mudanças de perigeu e apogeu até que o Angosat fosse deixado na trajetória de transferencia geoestacionária.

Transmissão do Homem do Espaço

O Angosat-2 deve ser colocado na posição orbital de 23°E, para cobrir todo o continente africano e países europeus com serviços de telecomunicações fixas e móveis, transmissão de televisão e rádio digital e acesso à Internet de alta velocidade.

A espaçonave é baseada no chassi Express-1000N projetado pela Reshetnev, uma plataforma universal de tamanho médio. Sua massa é de cerca de 1.750 kg, com potência de eletricidade de 7.600W, equipada com sistema de de atitude ativo em três eixos, um tempo de vida estimado em 15 anos. É um satélite de alto rendimento (HTS), equipado com 24 transponders de banda Ku , seis de banda C e um de banda Ka e fornecendo 13 gigabytes em cada região de alcance do seu sinal, com destaque para a África Austral. Sua construção não tem custos para Angola devido ao pacote de seguros do contrato de US$ 300 milhões do Angosat-1, que foi perdido após o lançamento. O satélite foi criado em dois anos, um período recorde para a indústria espacial russa, segundo a mídia oficial.

O Angosat-2 foi construído com base nas modernas plataformas Express-1000N

A carga útil pode ser desenvolvida e fornecida pela empresa canadense MDA e as divisões francesa e italiana da Thales Alenia. As características desta plataforma de satélite são: estrutura não-pressurizada; sistema de controle térmico combinado: a remoção de calor da carga útil é realizada usando um tubo central isogrid. Além disso, um circuito de fluido totalmente redundante é usado para melhorar a transferência de calor entre os vários elementos estruturais ; baterias solares de alto desempenho baseadas em fotoconversores de arsenieto de gálio de três estágios produzidos pela NPP Kvant; Baterias de íons de lítio Saft VS 180 SA para satélites comerciais ou baterias de níquel-hidrogênio fabricadas na Rússia para satélites militares; propulsores de plasma estacionários SPD-100 e SPD-140 fabricados pela OKB Fakel para propulsão e correção em órbita

Resumo do lançamento

Rússia e Angola concordaram em criar o Angosat-2 para substituir o aparelho perdido Angosat-1, que foi lançado em dezembro de 2017 a partir de Baikonur, mas cuja comunicação foi perdida no dia seguinte. Os trabalhos de criação da carga util e o lançamento do satélite, para substituir o aparelho Angosat-1 avariado, foram transferidos da contratada original RKK Energiya para a M. F. Reshetnev Informatsionnyye Sputnikovyye Sistemy (Sistemas de Satélite de Informação).

O Proton-M tem massa de decolagem de 705 toneladas e desenvolve 990 toneladas-força de empuxo de lançamento

O ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social de Angola, Mário Oliveira, disse que pretende “reduzir o fosso digital do país e do continente, com relevância na estratégia espacial nacional, que permitirá levar os serviços de telecomunicações às zonas mais remotas, a preços competitivos.

O satélite é construído sobre um chassi Ekspress 1000N

Ele destacou que o governo tem, após um trabalho conjunto de três anos realizado pela agência espacial americana NASA, MIT e GGPEN, o desenho de um sistema de apoio à decisão e informação para mitigar os efeitos da seca no sul do país. O ministro disse que Angola saiu de um país desconhecido, no setor espacial, e hoje ocupa uma posição firme entre os países emergentes do mundo e do continente.

Foguete com a seção de cabeça separada nas duas conchas, mostrando o satélite no topo do quarto estágio Blok DM-3

Angosat-1
A história do Angosat-1 começou em 2008, quando Rússia e Angola celebraram um contrato para a criação e lançamento de um satélite de radiodifusão. Em 2011, o Vnesheconombank, o VTB Bank e o Rosekhimbank concederam ao Ministério das Finanças da República de Angola empréstimos no valor de cerca de 280 milhões de dólares por até 13 anos e, um ano depois, iniciaram-se os trabalhos de execução do contrato.

O lançamento, num foguete Zenit, ocorreu em 26 de dezembro de 2017, e controlado por uma equipe conjunta de especialistas ucranianos do Yuzhnoye Design Bureau e funcionários da empresa russa S7 Space. Em poucos minutos, imediatamente após a separação do aparelho do estágio superior Fregat-SB, começaram os problemas técnicos. A conexão foi estabelecida com o satélite, mas depois de um tempo ele desapareceu. Os especialistas da RKK Energia conseguiram receber a telemetria do aparelho apenas no dia 29, após o que se seguiu um comunicado: “as informações recebidas mostram que todos os parâmetros dos sistemas de bordo do veículo estão normais”. Seguiu-se uma mensagem do chefe da Energia, Vladimir Solntsev: “O dispositivo foi lançado em órbita, e o lançamento foi realizado pelo estágio superior Fregat-SB, conforme planejado, com alta precisão em órbita, ligeiramente superior ao geoestacionário. Nele, testamos o funcionamento de motores e outros sistemas de satélite antes de chegar ao ponto de operação em órbita geoestacionária. Antenas e painéis solares abertos no modo normal. Ao mesmo tempo, houve alguns problemas com a fonte de alimentação, por causa dos quais fomos forçados a colocar o dispositivo no modo de economia de energia ou “modo de segurança”.

Angosat-2
O desenvolvimento do Angosat-2 começou em 24 de abril de 2018 no âmbito do Acordo assinado em 23 de abril de 2018 entre Angola e Russia. Depois do acontecido em 2017, seguiram-se longas investigações e negociações, durante as quais o lado russo admitiu que o satélite foi perdido devido a problemas na unidade de distribuição de energia. O aparelho estava segurado pela Sogaz e VTB Insurance por 121 milhões de dólares (50/50), estando a parte angolana satisfeita que a Federação Russa se comprometesse a fabricar e pôr em órbita um novo satélite. Em junho de 2021, os meios de comunicação noticiaram que “os Estados Unidos não autorizam a empresa europeia Airbus a fornecer à Rússia um módulo de carga útil (MPN) com equipamento de retransmissão para o satélite angolano Angosat-2 devido à presença de um componente eletrônico americano base nele.” Com o argumento de que, desde maio de 2021, os Estados Unidos proibiram o fornecimento à Rússia de eletrônicos espaciais americanos que estão sujeitos aos requisitos das regras de exportação do ITAR para bens e serviços de defesa. Ou seja, o lançamento do aparelho acabou sendo uma grande questão. Enquanto isso, a prática da “compra em regime turnkey”, quando o país cliente participa financeiramente da melhor forma e vê com satisfação o lançamento de seu satélite nos monitores de televisão, parece estar desaparecendo. Os países africanos ainda não possuem tecnologias próprias, mas a tendência para o desenvolvimento de tais programas é óbvia – existe mesmo a ideia de criar uma Agência Espacial Africana. De acordo com o Relatório Anual da Indústria Espacial Africana de 2019, a indústria espacial da África atingiu US$ 7,37 bilhões e está projetada para ultrapassar US$ 10,29 bilhões até 2023.

Um total de trinta e quatro empresas estão representadas no relatório, sendo: 26 privadas, cinco públicas e três subsidiárias de institutos universitários de pesquisa. 21 dessas empresas estão localizadas na África do Sul, quatro na Nigéria e nas Ilhas Maurício. O Egito abriga duas dessas empresas, enquanto Quênia, Sudão e Tunísia têm uma empresa espacial cada. O relatório também traz informações sobre seus serviços e áreas de atuação: Onze dessas empresas atendem os mercados nacionais dos países em que estão sediadas, sete atendem a clientes em todo o continente, e as 16 restantes já fornecem produtos e serviços para o mercado mundial.

CONTRIBUA ATRAVÉS DO PIX DO HOMEM DO ESPAÇO: homemdoespacobr@gmail.com

Conheça mais sobre exploração espacial no Curso Introdutório de História e Fundamentos da Astronáutica

Curso de Introdução à Astronáutica

Compre os e-books da Biblioteca Espacial Brasileira:

BIBLIOTECA ESPACIAL

E-book Estações Espaciais Volume I

E-book Estações Espaciais Volume II

E-book Naves Espaciais Tripuladas

E-book Compêndio da missão EMM-1 dos Emirados a Marte

E-book Compêndio Satélites Militares

E-book Compêndio da missão Soyuz 9

E-Book espaçonave Crew Dragon

E-book Balsas-drone da SpaceX

Publicidade

Autor: homemdoespacobrasil

Astronautics

%d blogueiros gostam disto: