Firefly lançou com sucesso com seu segundo ‘Alpha’

Foguete de classe leve lançou sete pequenos satélites

Foguete decola da plataforma do complexo de lançamento 2 Oeste em Vandenberg

O foguete Firefly Alpha número FLTA002 foi lançado do Space Launch Complex 2 West (SLC-2W) da base da Força Espacial, Vandenberg Space Force Base, na Califórnia. O veículo decolou às 00:01 PDT (07:01 UTC, 04:01 hora de Brasília) de 1º de outubro de 2022; ele colocou em órbita vários satélites de pequeno porte em uma órbita circular baixa de 300 km com uma inclinação de 137 graus. A campanha de lançamento foi chamada “To The Black”.

Oito horas antes da decolagem, as equipes começaram a realizar as verificações finais. Durante esse período, o foguete foi ligado ao circuito de eleticidade de solo e foram feitas verificações de sensores, concluídas em T-6 horas. Nesse ponto, o foguete começou a ser abastecido com hélio para pressurizar os tanques à medida que esvaziavam durante a subida. Em T-5 horas e 15 minutos, o veículo foi carregado com querosene RP-1. 45 minutos depois, a plataforma foi evacuada, dando lugar ao início do abastecimento de oxigênio líquido em T-3 horas e 40 minutos. O carregamento do propelente durou até 20 minutos antes do lançamento, quando o foguete entrou na contagem final. Nesse ponto, o foguete estava totalmente abastecido e era continuamente reabastecido com ambos os propelentes. Os quatro motores Reaver 1 no primeiro estágio acenderam em T-1,8 segundos utilizando ampolas pirofóricas de trietil-alumínio/trietil borano TEA-TEB. Esta combustão emitiu um jato verde brilhante pela tubeiras e sinalizou a ignição dos motores. Com todos os quatro motores em funcionamento nominal, os grampos da mesa de lançamento se soltaram da baia de motores, liberando o foguete.

Em T+1:13 o foguete passou pela zona de máxima pressão aerodinâmica (Max-Q). Em T+2:37, os quatro motores do primeiro estágio desligaram, no corte dos motores principais (main engine cutoff MECO), antes que os estágios se separassem e o segundo estágio fosse acionado. Menos de um minuto depois, em T+3:25, a carenagem de cabeça foi descartada. O segundo estágio então funcionou por mais quatro minutos, antes de desligar em T+7:40. Neste ponto o estágio ficou em costeamento até T+00:53:37 quando o motor ligou por dois segundos, até T+00:53:39, elevando a órbita elíptica inicial para uma circular de 300 km. Então o suporte ejetou em T+00:59:57 o satélite Serenity,, em T+01:00:57 o TES-5 e finalmente liberou o ejetor PICOBUS com seus microssatélites em T+1:01:57.

O Alpha totalmente montado tem cerca de 29,75 metros de comprimento e cerca de 1,8 metros de diâmetro.

O foguete havia passado por duas tentativas de lançamento, canceladas primeiro por problemas de abastecimento de hélio e depois por um defeito na ignição dos motores.

As cargas úteis lançadas nesta missão foram:

Ejetor de satelites PicoBus da Libre Space Foundation, com 37cm x 12cm x 15cm e massa de 6,327Kg (incluindo o dispensador). Este é um ejetor para satélites extra-pequenos tipo “Pocketqubes” tamanho 8P para ser usado para ejetar seis deles no espaço.

Ejetor PicoBus
Serenity

O CubeSat tipo 3U “Serenity” da Teachers in Space (“Professores no Espaço”). Medindo 32cm x 10cm x 10cm, e pesando 1,67Kg, tem objetivo de coletar dados durante a missão e disponibilizá-los à comunidade educacional para análise e comparação com dados coletados em outros voos. Os experimentos englobam pressão atmosférica, temperatura e radiação por meio de um par combinado de contadores Geiger, um envolto em material experimental de proteção contra radiação e o outro exposto.

TechEdSat

O CubeSat 3U da NASA, chamado TechEdSat-15 ou TES-15, com 10cm x 10cm x 34cm e massa de 4,15kg, em colaboração com a San Jose State University equipado com um “exo-brake” desdobrável, que é um dispositivo de frenagem exoatmosférico. O projeto TES-15 é parte do empreendimento Nano-Orbital Workshop (‘NOW’) [1] é um exo-freio articulado ‘quente’ que permite o direcionamento de órbita por meio de modulação de arrasto e penetração mais profunda na atmosfera para validar sistemas tipo COM para futuros voos do sistema Entry, Descent Landing (entrada, descida de aterrissagem, ou EDL). O exo-freio será acionado depois que o CubeSat for ejetado de seu dispensador para desacelerá-lo e faze-lo reentrar na atmosfera. O sistema foi desenhado para resistir a ambientes de temperatura muito mais alta, várias centenas de graus do que em experiências anteriores. Outros experimentos a bordo incluem o Beacon And Memory Board Interface ( interface de radiofarol e placa de memória, BAMBI), que otimiza a transferência de dados internos e externos do nanossatélite.

GENESIS-L e GENESIS-N

Dois outros satélites vão testar a primeira constelação de telecomunicações totalmente gratuita e de código aberto do mundo, os GENESIS-L e GENESIS-N (da AMSAT da Espanha). Será uma demonstração de tecnologia para radioamadores, com um propulsor de plasma pulsado micro sub-joule e plataforma de teste para futuras missões. Cada satélite pesa 220 gramas.

FOSSASAT-1B

Outro satélite ejetado é o FOSSASAT-1B, de 250 gramas , um demonstrador de tecnologia de comunicação e sensoriamento remoto de telecomunicações da LoRa, para demonstração de ADCS e experimento de imagens terrestres de baixa resolução.

Qubik-1 & Qubik-2

Por fim, os Qubik-1 & Qubik-2, de 200 gramas cada, pertencentes à própria Libre Space, uma outra missão de demonstração de tecnologia de comunicação realizando vários experimentos de telecomunicações. Espera-se que os satélites tenham apenas três semanas de vida útil em órbita. Este curto período de tempo será suficiente para o experimentos de telecomunicações, enquanto, ao mesmo tempo, a análise das estações terrestres dos sinais recebidos tentará explorar as variações doppler para determinação da órbita e a identificação de satélites das estações terrestres em todo o mundo, através do Rede SatNOGS.

Foguete de classe leve e resposta rápida

O primeiro estágio do Alpha é movido por quatro motores Reaver 1 funcionando com LOX / RP-1 em ciclo de derivação, produzindo 736,1 kN (74.842,741 quilogramas-força) de empuxo. O segundo estágio tem um motor Lightning 1 igualmente funcionando a LOX / RP-1, produzindo 70,1 kN (6.807 kgf) de empuxo. O Lightning 1 foi testado por quase 5 minutos em março de 2018 durante um teste de longa duração no Test Stand 1 da Firefly em Briggs, Texas. A fuselagem do foguete é construída em material composto de fibra de carbono . O uso de fibra de carbono foi escolhido por tornar o veículo mais eficiente em termos de propelente devido ao baixo peso. O Alpha totalmente montado tem cerca de 29,75 metros de comprimento e cerca de 1,8 metros de diâmetro.

O foguete é descrito pelos seus construtores como “… tendo a maior capacidade de carga útil pelo menor custo por quilo em sua classe de veículos, na classe de 1.000 kg mais avançado do mundo. Usando tecnologias de foguete testadas e comprovadas em voo, o Alpha é 100% fabricado nos EUA e projetado para ser o lançador pequeno mais confiável. Os motores alimentados por bomba e refrigerados regenerativamente usam querosene e oxigenio liquido, e nossos sistemas de aviônicos, como o computador de voo e o sistema de comunicação, empregam componentes COTS com herança de voo estabelecida”.

Resumo do lançamento

O foguete Alpha foi lançado pela primeira vez há um ano (o FLTA001), em 2 de setembro de 2021, também da Base de Vandenberg. Após um desligamento prematuro de um motor Reaver 1, o foguete explodiu 2,5 minutos após o lançamento. A empresa disse mais tarde que o desligamento de um dos quatro motores principais foi causado por um problema elétrico. Os controladores de alcance então detonaram o foguete por razões de segurança, já que estava ficando fora de controle: “… a Firefly começou a investigar a anomalia para descobrir exatamente por que as válvulas de combustível no motor nº 2 fecharam”.

[*] –A NOW inclui a colaboração de indústrias e de outras organizações governamentais, trabalhando com capacidade de uma alta cadência de missões . O Centro de Pesquisa Ames da NASA, no Vale do Silício, na Califórnia, abriga a equipe TechEdSat . Estudantes estagiários, jovens profissionais e voluntários fornecem mão de obra e recebem uma experiência prática com sistemas em voo espacial real. O projeto TechEdSat-15 é gerenciado pela Ames e financiado pela sua Diretoria de Engenharia

CONTRIBUA ATRAVÉS DO PIX DO HOMEM DO ESPAÇO: homemdoespacobr@gmail.com

Conheça mais sobre exploração espacial no Curso Introdutório de História e Fundamentos da Astronáutica

Curso de Introdução à Astronáutica

Compre os e-books da Biblioteca Espacial Brasileira:

BIBLIOTECA ESPACIAL

E-book Estações Espaciais Volume I

E-book Estações Espaciais Volume II

E-book Naves Espaciais Tripuladas

E-book Compêndio da missão EMM-1 dos Emirados a Marte

E-book Compêndio Satélites Militares

E-book Compêndio da missão Soyuz 9

E-Book espaçonave Crew Dragon

Publicidade

Autor: homemdoespacobrasil

Sua referência em Astronáutica na internet

%d blogueiros gostam disto: