NASA recebe propostas para ‘renovar’ o Hubble

Empresas privadas poderão fazer serviços básicos de manutenção em satélites; SpaceX é a primeira a oferecer projeto

Lançado por um ônibus espacial, o telescópio espacial Hubble foi servido por varias missões tripuladas e depois foi deixado em órbita

A NASA e a SpaceX assinaram um acordo sem financiamento na quinta-feira, 22 de setembro de 2022, para estudar a viabilidade de fazer uma missão de serviço para o telescópio espacial Hubble (HST – Hubble Space Telescope) usando naves espaciais tripuladas comerciais. A agência espacial americana havia aberto uma pré-chamada para empresas interessadas em fazer serviços de manutenção ou saída de órbita para satélites defeituosos ou em processo de decaimento orbital não-controlado.

A primeira opção apresentada foi das empresas SpaceX e Polaris (esta uma empreitada particular de Jared Isaacman, empresario e empreendedor espacial responsavel pela missão Inspiration4 e atualmente planejando outras missões turisticas) para impulsionar o Hubble para uma órbita mais alta com a espaçonave Crew Dragon, sem nenhum custo para o governo. Não se sabe se a iniciativa de recepção de propostas foi originada na própria NASA ou se isso ocorreu após o contato da SpaceX/Polaris. A ideia de fazer manutenção orbital no telescópio após a aposentadoria dos ônibus espaciais não é nova, já tendo sido proposta no início dos anos 2000 dentro de uma extensão de possibilidades para o Projeto Constellation, usando a nave espacial Orion para acoplar com o Hubble e fazer nele serviços simples. O Constellation acabou sendo engavetado e a espaçonave passou ser o centro do programa Artemis atualmente em curso.

OSAM1 (On-orbit Servicing, Assembly, and Manufacturing 1)

Um exemplo deste tipo de iniciativa já está em andamento sob a forma do projeto OSAM-1 (abreviação de On-orbit Servicing, Assembly, and Manufacturing 1): uma espaçonave robótica equipada com as ferramentas, tecnologias e técnicas para prolongar a vida útil de satélites, mesmo que não tenham sido projetados para serem servidos em órbita. Até abril de 2020, o OSAM-1 era chamado de Restore-L para destacar como os recursos de manutenção podem retornar um satélite à sua capacidade original. Com a adição do Space Infrastructure Dexterous Robot (SPIDER), a NASA decidiu mudar o nome da missão para englobar o escopo expandido. Durante sua missão, o robô OSAM-1 irá encontrar, capturar, reabastecer e realocar um satélite de propriedade do governo para prolongar sua vida útil. Os recursos do OSAM-1 podem oferecer aos operadores de satélite novas maneiras de gerenciar suas frotas com mais eficiência e ganhar mais com o investimento inicial. Esses recursos podem ajudar a mitigar o problema de detritos orbitais. A OSAM-1 deveria ter sido testada em 2020 mas foi adiada para 2025.

Space Infrastructure Dexterous Robot (SPIDER)

O SPIDER inclui um braço robótico leve de 5 metros que vai atuar com outros três manipuladores já previstos na nave. Anteriormente conhecido como Dragonfly durante a fase de demonstração o SPIDER reunirá sete elementos para formar uma antena de comunicação funcional de 3 metros. A antena montada roboticamente demonstrará a transmissão em banda Ka com uma estação terrestre. A carga útil também fabricará uma viga composta leve de 10 metros usando tecnologia desenvolvida pela Tethers Unlimited de Bothell, Washington. O elemento de montagem e fabricação da demonstração verificará a capacidade de construir grandes estruturas de espaçonaves em órbita.

Sem financiamento

“Não há planos para a NASA conduzir ou financiar uma missão de serviço ou competir nesta oportunidade; o estudo visa ajudar a agência a entender as possibilidades comerciais. A SpaceX – em parceria com o Programa Polaris – propôs este estudo para entender melhor os desafios técnicos associados às missões de serviço. Este estudo não é exclusivo, e outras empresas podem propor estudos semelhantes com diferentes foguetes ou naves espaciais como modelo. As equipes esperam que o estudo leve até seis meses, coletando dados técnicos do Hubble e da espaçonave Crew Dragon. Esses dados ajudarão a determinar se seria possível encontrar, acoplar e mover o telescópio com segurança para uma órbita mais estável.” – anunciou a agência.

Proposta antiga de usar a nave espacial Orion para acoplar com o Hubble e fazer nele serviços simples

“Este estudo é um exemplo empolgante das abordagens inovadoras que a NASA está explorando por meio de parcerias público-privadas”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da Diretoria de Missões Científicas na sede em Washington. “À medida que nossa frota cresce, queremos explorar uma ampla gama de oportunidades para apoiar as missões científicas mais robustas e superlativas possíveis. Embora o Hubble e a Crew Dragon sirvam como modelos de teste para este estudo, partes do conceito da missão podem ser aplicáveis ​​a outras naves espaciais, particularmente aquelas em órbita próxima à Terra, como o Hubble.”“Quero ser absolutamente claro, não estamos fazendo um anúncio hoje de que definitivamente vamos seguir em frente com um plano como esse”, disse Zurbuchen em uma ligação com repórteres na quinta-feira (7 de setembro). “Queremos fazer um estudo para ver realmente o que será viável.”

O diagrama resume uma sequência de missões propostas de serviço em órbita. O eixo horizontal representa cronologia e tempo. A seção superior mostra as missões. A seção inferior mostra as tecnologias capacitadoras para as missões, separadas em três categorias técnicas. O eixo vertical para as missões mostra a sensação geral de maior complexidade. Três caminhos paralelos são recomendados para o desenvolvimento de serviços de satélite: manutenção, reforma/atualização e lançamento múltiplo, montagem em grande escala. Estes são mostrados como bandas, juntamente com as missões representativas. A missão “GEO Fuel” (abastecimento em órbita geoestacionária) tem duas setas azuis indicando como poderia evoluir para uma capacidade de reforma/atualização e também uma capacidade de remoção de detritos espaciais.

O Hubble está operando desde 1990, atualmente em uma órbita de 539,13 km que está decaindo lentamente. Recolocá-lo em uma órbita mais alta e mais estável (de cerca de 600 km) pode adicionar uns vinte anos de operações. No final de sua vida útil, a NASA planeja tirá-lo de órbita com segurança. “A SpaceX e o Programa Polaris querem expandir os limites da tecnologia atual e explorar como as parcerias comerciais podem resolver problemas complexos e desafiadores de forma criativa”, disse Jessica Jensen, vice-presidente de operações e integração de clientes da SpaceX. “Missões como a manutenção do Hubble nos ajudariam a expandir as capacidades espaciais para, em última análise, ajudar todos a alcançar nossos objetivos de nos tornarmos uma civilização multiplanetária e espacial.”

Telescópio espacial Hubble

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Autor: homemdoespacobrasil

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