New Shepard NS-23 explode em voo

Sistema de escape de emergência trouxe a cápsula em segurança ao solo

Momento do acionamento do sistema de escape, que demonstrou a confiabilidade do mecanismo desenhado pela Blue Origin numa situação real

A Blue Origin abortou o lançamento de seu foguete suborbital New Shepard logo após a decolagem hoje, 12 de setembro de 2022, no primeiro grande fracasso da empresa de Jeff Bezos desde a transição para voos comerciais de rotina. A decolagem de hoje ocorreu às 14:27 GMT ( 11:27 de Brasilia) do ‘Launch Site One’ na propriedade Corn Ranch da Blue Origin, perto de Van Horn, Texas. Não havia passageiros a bordo da cápsula CC2.0-1 ‘RSS H.G. Wells’, que transportava uma série de cargas úteis. A Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) disse que investigaria o incidente. Este foi o primeiro voo do New Shepard com carga útil desde agosto de 2021. A missão era denominada NS-23 e usava o foguete-propulsor reutilizável NS-03, em seu 9° lançamento.

Cenário reconstituído da situação de emergência do NS-23

O lançamento estava programado originalmente para 31 de agosto e, em seguida, em 1º de setembro – e ambas as vezes teve que ser adiado por conta do clima.

A FAA, que licencia lançamentos comerciais, disse em um comunicado que supervisionará a investigação do acidente. A entidade analisa incidentes em voos espaciais, mas o Congresso americano a impediu de promulgar regulamentos de segurança além de proteger espectadores não envolvidos. “Nenhum ferimento ou dano à propriedade pública foi relatado”, disse a FAA, observando que o foguete propulsor caiu dentro de uma área designada de “perigo”, ou zona de exclusão. “Antes que o veículo New Shepard possa retornar ao voo, a FAA determinará se algum sistema, processo ou procedimento relacionado ao acidente afetou a segurança pública.”

A Blue Origin começou a transportar passageiros rotineiramente desde julho de 2021, quando lançou Jeff Bezos, seu fundador, ao espaço. Em setembro de 2021, um grupo de atuais e ex-funcionários da Blue Origin escreveu um ensaio coletivo acusando a empresa de um “ambiente de trabalho tóxico”, além de alegar problemas de segurança. Em dezembro, a FAA liberou a empresa após realizar uma revisão da sua cultura de segurança.

Foguete New Shepard em modo de emergência

A falha no lançamento

Os detalhes da falha não foram divulgados. Pouco mais de um minuto após a decolagem, o módulo de propulsão (Propulsion Module – PM, na nomenclatura da Blue Origin) pareceu sofrer um problema no motor BE-3 e desviar do curso, levando o sistema de avaria de emergência a entrar em ação a T + 01min05s. “Isso não foi planejado e ainda não temos detalhes”, disse Erika Wagner, diretora sênior de mercados espaciais emergentes, durante a transmissão ao vivo do lançamento. “Mas nossa cápsula [“CC”: Crew Capsule] da tripulação conseguiu escapar com sucesso.”

Resumo do voo

Uma vez que a avaria ocorreu, a cápsula CC2.0-1 acionou seu motor de emergência de combustível sólido e rapidamente se separou do foguete, e pousou com segurança sob pára-quedas. Uma técnica de escape semelhante seria usada para salvar passageiros caso estivessem a bordo durante uma falha. “Você pode ver como nossos sistemas de segurança de backup entraram em ação hoje para manter nossa carga útil segura durante uma situação fora do nominal”, disse Wagner. “A segurança é o nosso maior valor na Blue Origin.” A empresa encerrou a transmissão depois que a cápsula pousou no deserto. Um representante da Blue Origin disse que a empresa faria anuncios no twitter para atualizações.

Em T+ 1min 01 s, a 7.714,7 metros de altitude, houve uma aparente anomalia na pluma do jato; aos 8.473,4 metros, uma língua de fogo, de natureza não-identificável pelas imagens à distância saiu da seção do motor, e um fragmento, não identificável, foi visto a voar para longe. O Módulo de Propulsão saiu do eixo vertical de alinhamento (eixo X), e após o imediato acendimento do motor de escape da cápsula, ele não foi mais focalizado pela câmera. Não ficou claro se os engenheiros deixaram o foguete simplesmente cair ao solo (já que a telemetria permitia prever sua zona de queda, e que é levada em conta em todo planejamento de missão) ou se o sistema de autodestruição foi acionado – o que não parece provável.

Trajetória originalmente prevista do voo

As cargas úteis

A cápsula estava transportando trinta e seis cargas científicas de organizações de pesquisa, universidades e escolas. Também levava dezenas de milhares de cartões postais do Club for the Future, organização de fomento à educação da Blue Origin. Duas cargas estavam num suporte no casco externo do foguete New Shepard; 18 cargas dentro da cápsula pressurizada eram financiadas pela NASA através do programa Flight Opportunities; 24 cargas recebidas de escolas, universidades e organizações envolvidas na educação STEM, e os cartões postais do Club for the Future.

As cargas incluíam tecnologia de célula de combustível de hidrogênio desenvolvida pela Infinity Fuel Cell e Hydrogen Inc., uma empresa com sede em Windsor, Connecticut, com um contrato financiado pela NASA para desenvolver um Sistema de Energia e Energia Modular Avançado. A tecnologia de célula de combustível AMPES poderia ser usada para gerar energia para futuros rovers lunares e habitats de superfície, e esperava-se que o lançamento da Blue Origin permitisse aos engenheiros testar parte do hardware em microgravidade.
Outro experimento financiado pela NASA veio da Honeybee Robotics, uma subsidiária da Blue Origin, e foi projetado para estudar a força dos solos planetários sob diferentes condições de gravidade.
Uma investigação da Universidade da Flórida iria testar um sistema de imagem de fluorescência que permite pesquisas biológicas em missões suborbitais, e pesquisadores do MIT Media Lab realizaram um experimento chamado “Wax Casting” para testar como futuros exploradores poderiam produzir seu próprio propelente sólido não tóxico em microgravidade, como parafina e cera de abelha. O experimento Wax Casting deveria estudar como a cera derretida da vela e um líquido semelhante chamado heptadecano reagem quando fossem girados em tubos a bordo da cápsula.
O Electrostatic Regolith Interaction Experiment da University of Central Florida, também apoiado pela NASA, iria estudar o comportamento de partículas de poeira carregadas em microgravidade. As informações desse experimento iriam ajudar os engenheiros a desenvolver estratégias para evitar que a poeira lunar danifique eletrônicos, células solares, equipamentos mecânicos e trajes espaciais de astronautas na lua, de acordo com a UCF.
Houve também um experimento da NeoCity Academy em Kissimmee, Flórida, onde seis estudantes do ensino médio desenvolveram uma investigação para estudar os efeitos da microgravidade nas ondas sonoras ultrassônicas. Outro projeto, do Anatolia College na Grécia, iria tentar criar uma pintura no espaço.

Histórico de sucessos

Este foi o nono voo deste exemplar NS-03 em particular. Este tipo de foguete é um veículo totalmente reutilizável que usa propelentes criogênicos (oxigênio e hidrogênio líquidos), e foi projetado para pousar na vertical após um lançamento bem-sucedido ; teve um recorde de vôos quase perfeito até agora, exceto por uma falha parcial no início de sua campanha de testes. Este foi o 4º voo da empresa este ano, a 9ª missão com cargas científicas e o 23º lançamento da Blue Origin, e o momento, o programa levou 31 passageiros ao espaço.

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