Firefly tentará o sucesso com seu segundo ‘Alpha’ hoje à noite

Foguete de classe leve fará seu segundo voo, após falha em 2021

Alpha n° 2 (FLTA002)

O foguete Alpha n° 2 (FLTA002) da empresa Firefly deve ser lançado hoje à noite, 11 de setembro de 2022, numa janela de lançamento que abre às 15:00 PST (22:00 UTC, ou 19:00 de Brasília) da plataforma SLC-2, da base Vandenberg Space Force Base, na Califórnia com vários pequenos satélites de clientes comerciais. O “To The Black” é o segundo voo de demonstração de tecnologia da Firefly que tentará lançar vários satélites para a órbita terrestre baixa do local de lançamento (SLC-2) na Base da Força Espacial Vandenberg. O segundo estágio vai entrar em uma trajetória de transferência elíptica para uma fase de costeamento até o apogeu e então realizará uma ignição de circularização de órbita a 300 km com inclinação de 137 graus.

Segunda tentativa do Alpha

O foguete Alpha foi lançado pela primeira vez há quase um ano (o FLTA001), em 2 de setembro de 2021, também da Base de Vandenberg. Após um desligamento prematuro de um motor Reaver 1, o foguete explodiu 2,5 minutos após o lançamento. A empresa disse mais tarde que o desligamento de um dos quatro motores principais foi causado por um problema elétrico. Os controladores de alcance então detonaram o foguete por razões de segurança, já que estava ficando fora de controle: “… a Firefly começou a investigar a anomalia para descobrir exatamente por que as válvulas de combustível no motor nº 2 fecharam. “Informaremos a causa raiz da anomalia assim que a investigação for concluída. Em parceria com a FAA e nossos parceiros no Space Launch Delta 30, retornaremos para realizar um segundo voo Alpha o mais rápido possível.”

O primeiro estágio do Alpha é movido por quatro motores Reaver 1 funcionando com LOX / RP-1 em ciclo de derivação, produzindo 736,1 kN (74.842,741 quilogramas-força) de empuxo. O segundo estágio tem um motor Lightning 1 igualmente funcionando a LOX / RP-1, produzindo 70,1 kN (6.807 kgf) de empuxo. O Lightning 1 foi testado por quase 5 minutos em março de 2018 durante um teste de longa duração no Test Stand 1 da Firefly em Briggs, Texas. A fuselagem do foguete é construída em material composto de fibra de carbono . O uso de fibra de carbono foi escolhido por tornar o veículo mais eficiente em termos de propelente devido ao baixo peso. O Alpha totalmente montado tem cerca de 29,75 metros de comprimento e cerca de 1,8 metros de diâmetro.
Resumo do lançamento

O foguete é descrito pelos seus construtores como “… tendo a maior capacidade de carga útil pelo menor custo por quilo em sua classe de veículos, na classe de 1.000 kg mais avançado do mundo. Usando tecnologias de foguete testadas e comprovadas em voo, o Alpha é 100% fabricado nos EUA e projetado para ser o lançador pequeno mais confiável. Os motores alimentados por bomba e refrigerados regenerativamente usam querosene e oxigenio liquido, e nossos sistemas de aviônicos, como o computador de voo e o sistema de comunicação, empregam componentes COTS com herança de voo estabelecida. Avanços modernos em materiais compostos de carbono são usados ​​para criar estruturas primárias fortes e leves, como tanques de propelente. Totalmente fabricado e lançado nos EUA, é capaz de reduzir os custos ao mínimo, ao mesmo tempo em que alcança uma confiabilidade sem precedentes. Nossas instalações de lançamento dedicadas na costa oeste e leste dos EUA, no Complexo de Lançamento Espacial 2 da Base da Força Espacial de Vandenberg e no Complexo de Lançamento Espacial 20 da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, permitirão voos uma vez por mês até o final de 2022.”

As cargas úteis a serem lançadas nesta missão serão:

Ejetor de satelites PicoBus da Libre Space Foundation, com 37cm x 12cm x 15cm e massa de 6,327Kg (incluindo o dispensador). Este é um ejetor para satélites extra-pequenos tipo “Pocketqubes” tamanho 8P para ser usado para ejetar seis deles no espaço.

Ejetor PicoBus
Serenity

O CubeSat tipo 3U “Serenity” da Teachers in Space (“Professores no Espaço”). Medindo 32cm x 10cm x 10cm, e pesando 1,67Kg, tem objetivo de coletar dados durante a missão e disponibilizá-los à comunidade educacional para análise e comparação com dados coletados em outros voos. Os experimentos englobam pressão atmosférica, temperatura e radiação por meio de um par combinado de contadores Geiger, um envolto em material experimental de proteção contra radiação e o outro exposto.

TechEdSat

Um CubeSat 3U da NASA, chamado TechEdSat-15 ou TES-15, com 10cm x 10cm x 34cm e massa de 4,15kg, em colaboração com a San Jose State University equipado com um “exo-brake” desdobrável, que é um dispositivo de frenagem exoatmosférico. O projeto TES-15 é parte do empreendimento Nano-Orbital Workshop (‘NOW’) [1] é um exo-freio articulado ‘quente’ que permite o direcionamento de órbita por meio de modulação de arrasto e penetração mais profunda na atmosfera para validar sistemas tipo COM para futuros voos do sistema Entry, Descent Landing (entrada, descida de aterrissagem, ou EDL). O exo-freio será acionado depois que o CubeSat for ejetado de seu dispensador para desacelerá-lo e faze-lo reentrar na atmosfera. O sistema foi desenhado para resistir a ambientes de temperatura muito mais alta, várias centenas de graus do que em experiências anteriores. Outros experimentos a bordo incluem o Beacon And Memory Board Interface ( interface de radiofarol e placa de memória, BAMBI), que otimiza a transferência de dados internos e externos do nanossatélite.

GENESIS-L e GENESIS-N

Dois deles vão testar a primeira constelação de telecomunicações totalmente gratuita e de código aberto do mundo, os GENESIS-L e GENESIS-N (da AMSAT da Espanha). Será uma demonstração de tecnologia para radioamadores, com um propulsor de plasma pulsado micro sub-joule e plataforma de teste para futuras missões. Cada satélite pesa 220 gramas.

FOSSASAT-1B

Outro satélite a ser ejetado é o FOSSASAT-1B, de 250 gramas , um demonstrador de tecnologia de comunicação e sensoriamento remoto de telecomunicações da LoRa, para demonstração de ADCS e experimento de imagens terrestres de baixa resolução.

Qubik-1 & Qubik-2

Por fim, os Qubik-1 & Qubik-2, de 200 gramas cada, pertencentes à própria Libre Space, uma outra missão de demonstração de tecnologia de comunicação realizando vários experimentos de telecomunicações. Espera-se que os satélites tenham apenas três semanas de vida útil em órbita. Este curto período de tempo será suficiente para o experimentos de telecomunicações, enquanto, ao mesmo tempo, a análise das estações terrestres dos sinais recebidos tentará explorar as variações doppler para determinação da órbita e a identificação de satélites das estações terrestres em todo o mundo, através do Rede SatNOGS.

[*] – A NOW inclui a colaboração de indústrias e de outras organizações governamentais, trabalhando com capacidade de uma alta cadência de missões . O Centro de Pesquisa Ames da NASA, no Vale do Silício, na Califórnia, abriga a equipe TechEdSat . Estudantes estagiários, jovens profissionais e voluntários fornecem mão de obra e recebem uma experiência prática com sistemas em voo espacial real. O projeto TechEdSat-15 é gerenciado pela Ames e financiado pela sua Diretoria de Engenharia .

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