NASA testará versão simplificada da Starship para viagem à Lua em 2024

Espaçonave ainda em projeto da SpaceX será o módulo lunar da missão Artemis

Concepção artística do Starship lunar com o elevador de acesso e dois tripulantes na superfície

Em uma apresentação na reunião anual do Lunar Exploration Analysis Group (LEAG) da NASA em 23 de agosto de 2022, Lisa Watson-Morgan, gerente do programa Human Landing System (HLS), disse que uma nave Starship realizará a missão de demonstração de pouso sem tripulação não necessariamente idêntica ao veículo que será usada para transportar astronautas para a superfície lunar na Artemis 3 por volta de 2025. A nave espacial da SpaceX que pousará na Lua no voo de teste pode será uma versão simplificada da que levará pessoas na Artemis 3: “Para a demonstração sem tripulação, o objetivo é ter um pouso seguro”, disse ela. “A nave de demonstração não tripulada não será necessariamente a mesma Starship que veremos na demonstração tripulada. Vai ser um ‘esqueleto’ porque só terá que pousar. Não precisa decolar”. “Claramente que queremos”, acrescentou ela, referindo-se a possibilidade de o veiculo fazer uma decolagem da superfície lunar, “mas os requisitos são para que [apenas] ela pouse”.

Esse pouso sem tripulação, programado para não antes de 2024, é um teste importante antes da missão Artemis III. Watson-Morgan disse que o pouso não tripulado ocorrerá na região polar sul, mas nenhuma decisão foi tomada sobre um local exato, incluindo se será uma das treze regiões anunciadas pela NASA em 19 de agosto, para a Artemis 3. Um fator na escolha de um local de pouso, disse ela, foi “preservar a ciência no futuro”, não interferindo em nenhum local de pouso da Artemis 3. Haverá uma oportunidade de fazer pesquisas no pouso de demonstração. Isso inclui levar um conjunto de sensores e cameras “e potencialmente uma carga útil”, disse ela, mas não especificou de que tipos. Os modelos de carga útil que a NASA estava interessada incluem aqueles “que não exigem muita manutenção”.

A SpaceX previu até 16 lançamentos – incluindo 14 reabastecimentos – com intervalo de aproximadamente 12 dias para cada missão lunar da nave. Elon Musk, porém, disse que a necessidade de “16 voos é extremamente improvável”. Em vez disso, presumindo que cada nave-tanque seja capaz de levar 150 toneladas de carga útil (propelente) em órbita após alguns anos de maturação do projeto, ele acredita que é improvável que sejam necessários mais de oito lançamentos de naves-tanques para reabastecer a nave-depósito – ou um total de dez lançamentos, incluindo o depósito e o módulo de alunissagem.

No entanto, ela e outros disseram que querem maximizar o desempenho que a Starship oferecerá em pousos lunares, com potencial para transportar grandes cargas. Enquanto a competição original do HLS tinha a exigência de transportar apenas 100 quilos para a superfície e de volta, além de dois astronautas, disse Logan Kennedy, líder de desenvolvimento superfície do programa, as missões “sustentadas” posteriores aumentarão para 182 quilos na superfície e 160 quilos de volta, com uma meta de 1.000 quilos de ida e volta. “Vamos aproveitar tudo o que pudermos nesta missão para tentar aumentar e diminuir o máximo que pudermos, usando o escopo do sistema deles”, disse Watson-Morgan.

Maquete em tamanho real do elevador sendo avaliado nas instalações da SpaceX

Ela disse que a empresa tem sido uma “parceira fantástica” no HLS até agora, com estreita cooperação entre a empresa e a agência. A SpaceX esteve envolvida no processo de seleção do local de pouso da Artemis III para garantir que as possíveis regiões de pouso sejam compatíveis com a Starship. A NASA, por sua vez, tem seu pessoal, incluindo astronautas, visitando as instalações da empresa para revisões e testes de equipamento. Isso inclui um dos atributos específicos da espaçonave projetada – o elevador necessário para ir da cabine à superfície. “É um módulo de pouso muito alto. Não se parece com os aterrissadores tradicionais que vimos no passado, então pode ser difícil reconciliar isso mentalmente”, disse Watson-Morgan. Ela assegurou aos cientistas na reunião que o projeto do elevador era robusto, dizendo que era “tolerante a múltiplas falhas” e projetado para operar em condições lunares. Em sua apresentação, Kennedy mostrou imagens de uma maquete em escala real do elevador que a SpaceX construiu para testes de “crew-in-the-loop” ou ‘com-participação-de-tripulante’, incluindo aqueles em que os astronautas usavam trajes espaciais simulados para testar a capacidade de entrar e sair do elevador. Alguns aspectos da arquitetura geral de pouso lunar, no entanto, permanecem obscuros. O conceito de operações para o módulo de alunissagem envolve o lançamento de uma nave na órbita terrestre baixa que servirá como um depósito de combustível, que será abastecido por lançamentos subsequentes de Starships que servirão como naves-tanque. O módulo lunar Starship será lançado, encherá seus tanques no depósito e seguirá para a órbita lunar.

Nem a NASA nem a SpaceX, no entanto, disseram exatamente quantos lançamentos serão necessários para uma única missão de pouso lunar, uma questão de contenção durante os protestos contra o prêmio da SpaceX no HLS no ano passado pela Blue Origin. “Quantos? Todos os necessários. Essa é a quantidade que lançaremos”, disse Watson-Morgan. Os requisitos da NASA para missões do HLS terminam quando os astronautas voltam para a nave-mãe Orion. “Nós não dizemos a eles para fazerem nada com ela”, disse Kennedy sobre o destino da Starship após o retorno dos astronautas da superfície lunar. “Isso vai depender da SpaceX.”

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