Índia lança amanhã seu novo foguete

O SSLV-D1 fará sua estréia no mercado de pequenos satélites

Foguete na plataforma em Satish Dhawan

O primeiro lançamento do novo foguete indiano SSLV – Small Satellite Launch Vehicle, o SSLV-D1, está agendado para amanhã domingo, 7 de agosto de 2022, às 09h18 horario indiano (04:48 GMT ou 00:48 hora de Brasilia) do Satish Dhawan Space Center (SDSC), Sriharikota. A Organização de Pesquisa Espacial Indiana ISRO convidou os cidadãos para a Galeria de Vista de Lançamento no SDSC para assistir à decolagem por meio de registro online. A ISRO realizará o voo inaugural de seu recém-desenvolvido foguete antes da celebração do Dia da Independência, e o SSLV colocará em órbita o satélite Earth Observation Satellite-2 “EOS-2”, de 145 kg, e o AzaadiSat, um cubesat de 8 kg projetado por 750 alunos de escolas públicas de todo o país para marcar o 75º aniversário da independência indiana. “O SSLV oferecerá acesso de baixo custo ao espaço sob demanda. Ele tem baixo tempo de preparação, flexibilidade para acomodar vários satélites, viabilidade de lançamento rápido e requisitos mínimos de infraestrutura de lançamento”, disse a ISRO. A estréia do SSLV foi adiada por alguns anos devido à pandemia. Especialistas acreditavam que isso poderia prejudicar as perspectivas econômicas da agência no mercado espacial global, já que o novo veículo lançador foi projetado tendo em mente lançamentos comerciais de pequenos satélites com um tempo de retorno rápido para as missões. Colocar os dois satélites em órbita é uma demonstração indiana de força, como o desfile militar no Dia da República. A intenção é mostrar a presteza de lançamento sob demanda (launch on demand, ou LOD) da ISRO. A LOD é a competência para colocar satélites em órbita sob rápida encomenda. Até agora, o foguete PSLV vinha colocando satélites em órbitas, incluindo órbita baixa, de forma eficiente; 53 de seus 55 lançamentos foram bem sucedidos. O problema é que o processo de lançamento é demorado, uma desvantagem em um momento em que o mercado de pequenos satélites está crescendo. O PSLV, que lançou a primeira missão lunar indiana Chandrayan-1 em 2008 e a Mars Orbiter Mission em 2013, agora será reservado para projetos nacionais maiores.

Transmissão no Canal do Homem do Espaço
Resumo do lançamento
Perfil de lançamento do SSLV-D1

Satélite EOS-2

Satélite de observação da Terra EOS-2

O novo satélite de observação da Terra indiano EOS-2 terá aplicações em mapeamento e desenvolvimento de vários aplicativos GIS. Ele levará uma câmera infravermelha de comprimento de onda médio e outra câmera infravermelha de comprimento de onda longo, com resolução de 6 metros. O satélite, pesando 145 kg, terá vida operacional de dez meses, colocado em uma órbita de cerca de 350 km, e é um “microsat”, oferecendo sensoriamento remoto óptico avançado. Satélites em órbita terrestre baixa como o EOS-2 são ideais para imagens e comunicação. Por estar mais perto da Terra, os satélites de imagem podem capturar imagens melhores e mais detalhadas Os serviços de voz e dados por satélite também podem ser úteis durante emergências como enchentes e outros desastres naturais. Sua construção é de favo-de-mel de alumínio formando uma caixa não-selada de 55,2 cm x 60 cm x 60 cm que foi projetada e qualificada para a massa total da espaçonave de 145 kg. Os subsistemas Mainframe/Bus são cargas úteis independentes integradas. Todos os elementos de carga útil são acomodados no convés superior. Os dois painéis solares que geram 350 W de potência são os únicos apêndices extensiveis. A plataforma é altamente ágil com manobrabilidade de 3,5°/s e precisão de apontamento de 0,1″. A taxa de transmissão de dados de carga útil é de 32 Mbps na banda X.

Cubesat AzaadiSat

O AzaadiSat desenvolvido por meninas, estudantes de todo o país coordenadas pela SpaceKidz India
AzaadiSat

Já o AzaadiSat foi desenvolvido por meninas estudantes rurais de todo o país coordenadas pela SpaceKidz India, uma start-up espacial tem objetivos educacionais. Ele carrega setenta e cinco cargas úteis diferentes, cada uma pesando cerca de 50 gramas e realizando experimentos ‘femto’, ou de tamanho diminuto. Alunas de regiões rurais de todo o país receberam as orientação para construir os experimentos, que foram integrados por elas. Rifath Sharook, diretor de tecnologia da Space Kidz India, twittou em 8 de julho que o AzaadiSAT era uma missão especial na qual a organização selecionou 750 alunas de setenta e cinco escolas governamentais de todos os estados indianos e forneceu treinamento para construir as 75 cargas experimentais.

Arranjo dos satélites no estágio superior VTM – Módulo de ajuste de velocidade

As cargas úteis incluem um transponder UHF-VHF trabalhando em radiofrequência amadora para permitir a transmissão de voz e dados para radiooperadores amadores, um contador de radiação baseado em diodo PIN de estado sólido para medir a radiação ionizante em sua órbita, um transponder de longo alcance e uma câmera ‘selfie’. O sistema terrestre desenvolvido pela Space Kidz India será utilizado para receber os dados do satélite.

Um novo foguete para um mercado em crescimento

O lançador tem 2 metros de diâmetro básico e 34 metros de comprimento, massa de decolagem de 120 toneladas, com três estágios de propulsão de combustivel sólido e um módulo de propelente líquido como estágio de impulsão final

“O lançamento do SSLV estava muito atrasado. Isso mudará o fardo dos lançamentos comerciais indianos dos foguetes PSLV e oferecerá lançamento rápido e barato para pequenos satélites. A ISRO tem os meios para fazer isso, especialmente agora que as startups espaciais estão sendo incentivadas”, disse Ajey Lele, membro sênior do Instituto Manohar Parrikar de Estudos e Análises de Defesa.

“O SSLV é um veículo pronto para transferência com sistemas modulares e unificados e com interfaces padrão para produção industrial de ponta a ponta”, disse um funcionário da ISRO. Os principais recursos do SSLV incluem um segmento de motor de ‘booster’ com uma configuração de junta aberta para minimizar a montagem e o prazo de integração. Ele também possui uma configuração unificada entre estágios para permitir integração e lançamento rápidos, e um sistema de aviônicos miniaturizado de baixo custo com componentes comerciais industriais prontos para uso. O SSLV também possui acomodação multissatélite com um deck com varios adaptadores-ejetores e um sistema de controle digital com atuadores eletromecânicos totalmente indianos. Ao contrário do PSLV, o SSLV usa somente combustível sólido – polibutadieno terminado em hidroxila – para disparar os três estágios que leva as cargas úteis à altitude desejada. O Velocity Trimming Module (VTM) de propulsão líquida insere o satélite em órbita. De acordo com funcionários da ISRO, o SSLV tem um tempo de resposta baixo e pode ser montado em quinze dias, permitindo que a agência espacial forneça serviço de lançamento sob demanda no setor de cargas de órbita terrestre baixa, em rápido crescimento.

Compatração entre o novo SSLV e o consagrado PSLV

O que o design SSLV significa para a indústria privada: O foguete foi projetado de forma a facilitar a participação de pequenos players da indústria em sua construção, ao contrário de foguetes mais avançados, como o PSLV ou os GSLV Mk2 ou Mk3. “Faremos apenas dois ou três lançamentos e depois planejamos transferir a tecnologia para players privados”, disse o diretor do VSSC. “Desenvolvemos um design tão simples e amigável que até mesmo pequenas empresaas do setor podem fazer parte de sua construção”, acrescentou. Ele estava se referindo a fabricantes de hardware que podem fornecer a caixa metálica para os foguetes ou as que projetam os circuitos elétricos ou desenvolvem processadores para operações críticas dentro do veículo lançador. O projeto de veículos de lançamento mais avançados, como PSLV e GSLV, exige processos de fabricação de alta habilidade que apenas grandes empresas como a Hindustan Aeronautics Limited podem adotar.

Detalhes dos foguetes

O novo foguete colocará em órbita os dois satélites no final de um voo de 13,2 minutos. O SSLV tem 34 metros de altura. com um diâmetro de dois metros e uma massa de decolagem de 120 toneladas, sendo 10 metros mais curto que o foguete Polar Satellite Launch Vehicle PSLV tambem da ISRO e pode colocar cargas úteis de até 500 kg em uma órbita de 500 km. Já o PSLV tem 44 metros de altura, 2,8 metros de diâmetro e uma massa de decolagem de 320 toneladas e tem capacidade para colocar em órbita cargas úteis de até 1.800 kg. O PSLV é o cavalo de batalha da Índia e realizou com sucesso mais de cinquenta missões, lançando não apenas satélites domésticos, mas também satélites de clientes em órbita baixa, a chamada Low Earth Orbit (LEO). O foguete recém-desenvolvido foi configurado com os três estágios de propelentes sólidos de 87 t, 7,7 t e 4,5 t respectivamente, contra o PSLV, que é um veículo de quatro estágios que gera 4.800 kN de empuxo no primeiro estágio, 799 kN no segundo, 240 kN no terceiro e 15 kN no quarto. Enquanto o PSLV domina o SSLV nos segmentos de carga mais pesada, o novo foguete ganha quando se trata de tempo de preparação (ou “resposta”). O tempo de resposta significa preparar um foguete para o próximo lançamento e o SSLV pode ser preparado e transferido para a plataforma de disparo em pouco mais de 72 horas, contra os dois meses necessários para preparar um PSLV. O SSLV supera também o foguete Falcon-9 da SpaceX, que leva 21 dias de tempo de resposta.
A consultoria de negócios americana Frost and Sullivan estimou que o mercado de serviços de lançamento de pequenos satélites ultrapassará a marca de 69 bilhões de dólares até 2030. O tempo de montar um foguete, instalar as conexões elétricas e fazer seu transporte antes do lançamento geralmente é de pelo menos um mês. Um lançamento do SSLV pode ser feito em três dias”, disse S. Unnikrishnan Nair, diretor do Centro Espacial Vikram Sarabhai (VSSC). Foguetes de propelente líquido, diferentemente dos veículos que utilizam combustível sólido, requerem conhecimentos e equipamentos mais especializados. Todos os três principais estágios propulsores do SSLV são baseados em combustível sólido que, ao contrário dos líquidos, podem ser armazenados facilmente e, portanto, são fáceis de gerenciar e integrar.

Seção do primeiro estágio sendo transportada para a seção de montagem

A Índia tem ainda o GSLV-MK3, ou LVM3, que é o foguete mais pesado construído por sua agência espacial, e que pode transportar até 4 toneladas de carga em órbita geoestacionária ou 10 toneladas em órbita baixa.

Empilhamento dos segmentos dos estágios de propelente sólido do foguete

Concebido principalmente como um veículo comercial, o SSLV provavelmente custará um quarto do PSLV atual. Também pode ser montado por uma equipe de seis pessoas em sete dias, em comparação com a equipe de 600 pessoas que leva alguns meses para montar um PSLV. A ISRO alocou Rs 169 crores para o projeto, que deve cobrir o desenho e qualificação dos sistemas e a demonstração de voo por meio de três voos de desenvolvimento, os do SSLV-D1 atual e dos SSLV-D2 e SSLV-D3.

O lançamento da missão SSLV-D1/EOS-02 é significativo, uma vez que a Índia havia marcado para comemorar o 75º Dia da Independência com o primeiro voo espacial tripulado, conforme o prazo estabelecido pelo primeiro-ministro Narendra Modi em seu discurso das muralhas do Forte Vermelho no dia da independência de 2018. O trabalho na missão Gaganyaan, primeiro voo tripulado do país ao espaço, foi adiado devido à pandemia, com o primeiro teste de aborto previsto para o final deste ano – para demonstrar o sistema de escape da tripulação a ser usado em caso de emergência em pleno voo.

Foguete separado nos componentes principais

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