EUA lançam último satélite militar SBIRS-GEO

Foguete Atlas V colocou o satélite de alerta antecipado em trajetória geostacionária

O Atlas V 421 decolou do Space Launch Complex 41

O foguete Atlas V 421 decolou hoje, 4 de agosto de 2022, do Space Launch Complex 41 (SLC-41) na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, na abertura da janela de 40 minutos às 6h29 EDT (10h29 UTC ou 07:29 de Brasilia). O objetivo foi lançar o satelite militar SBIRS-GEO 6 e mais dois satélites acompanhantes. O lançamento teve como alvo uma órbita de transferência geossíncrona com perigeu de 5.218 quilômetros, um apogeu de 35.335 km e inclinação de 17,63 graus. O foguete teve o número de série AV-097 e tinha a configuração “421”, que incorpora uma carenagem de cabeça de quatro metros de diâmetro, um par de propulsores de propelentes sólidos para aumentar o empuxo do primeiro estágio e um estágio superior monomotor Centauro.

O SBIRS GEO 6 é o último satélite da série a ser lançado antes que um sistema de detecção de mísseis de próxima geração comece a ser consituído nos próximos anos. As naves SBIRS GEO 5 e 6 tem um design modernizado baseado no chassi LM 2100M da Lockheed Martin. O GEO 5 foi lançado em maio de 2021, com o lançamento do GEO 6 completando a constelação. Dois satélites adicionais foram planejados, mas cancelados no orçamento de 2019 da Força Aérea para liberar recursos para o programa sucessor, Next-Generation Persistent Overhead Infrared (NG-OPIR). Os projetos DSP, SBIRS e NG-OPIR foram todos transferidos da Força Aérea para a Força Espacial após a formação da Força Espacial em 2019, com o Space Delta 4 responsável pelos projetos.

Este programa começou há mais de onze anos e foi projetado para apoiar e aumentar a constelação mais antiga de 23 satélites do Programa de Apoio à Defesa (DSP). Esses satélites têm uma vida útil de 12 anos. A constelação SBIRS usa sensor infravermelho para detectar e prover avisos de muitos tipos de lançamentos de mísseis e transmitir essas informações ao presidente e aos comandantes militares para poder responder de acordo. No mês passado, a ULA lançou a missão USSF-12, que incluiu o Wide Field of View, que também detecta a atividade de mísseis. Oficiais da Força Espacial disseram em um briefing nesta semana que, com a capacidade crescente dos adversários de desenvolver armas hipersônicas e outras, ter mais maneiras de detectar essa atividade se torna mais crucial do que nunca.

Resumo da missão

A missão exigiu que o estágio Centauro fizesse três ignições de seu motor RL10C. A primeira queima foi a mais longa, com duração de oito minutos e 27 segundos para colocar o Centauro e o satelite em uma órbita inicial de estacionamento. Após uma fase de costeamento de dez minutos, o Centauro fez outra queima de 4 min 44 s para se elevar em uma órbita de transferência elíptica. Esta queima foi seguida por uma fase de costeamento estendida em que o estágio superior e sua carga útil ganhavam altitude.

O SBIRS-GEO 6 é construído num chassi A2100M da Lockheed

Durante esta fase, esperava-se que dois pequenos satélites, chamados EZIO-5 e 6, fossem ejetados do Aft Bulkhead Carrier (suporte-ejetor da antepara traseira) do Centauro. Estes são provavelmente semelhantes aos satélites EZ-3 e EZ-4 ejetados durante o primeiro costeamento da missão SBIRS GEO 5, que eram cubesats tamanho 12U lançados como parte do programa Technology Demonstration Orbiter (TDO) do Space Systems Command. Duas horas e meia após a segunda queima, Centauro disparou novamente por 58 segundos para elevar ainda mais a órbita. O SBIRS GEO 6 se separou dois minutos e 49 segundos após o término da terceira queima. Centauro então executou uma descarga de propelentes e gases e foi neutralizado eletricamente antes do final oficial da missão em T+3 horas, 59 minutos e 27 segundos de tempo decorrido.

Arquitetura do sistema SBIRS
Trajetória inicial de lançamento vista da costa da Flórida

A missão SBIRS GEO 6 marca o segundo voo, no estágio Centauro, do motor RL10C-1-1, no lugar do RL10C-1 que tem sido usado na maioria das missões recentes do Atlas V. Esta nova versão do RL10 foi lançada pela primeira vez no SBIRS GEO 5 no ano passado e incorpora uma tubeira estendida para maior impulso e técnicas de fabricação aprimoradas, incluindo impressão 3D. Apesar de funcionar nominalmente durante seu primeiro voo em órbita, observou-se que a tubeira estava vibrando muito mais do que o esperado; então os engenheiros revisaram os dados da missão antes de permitir que o novo motor voasse novamente.. Para o lançamento de hoje, o motor voou sem sua extensão total da tubeira, deixando-o aproximadamente do mesmo comprimento que o RL10C-1. Embora o RL10C-1-1 esteja sendo introduzido no Atlas V, espera-se que ele possa equipar uma nova versão do Centauro que está em desenvolvimento para o foguete de próxima geração da ULA, o Vulcan.

ESTATÍSTICAS DA MISSÃO:
677º lançamento do programa Atlas desde 1957
378º Lançamento do Atlas de Cabo Canaveral
266ª missão de um estágio superior Centauro
243º uso do Centauro por um foguete Atlas
513º motor RL10 de produção a ser lançado
2º motor RL10C-1-1 lançado
101º voo de um motor principal RD-180
95º lançamento de um Atlas V desde 2002
37º uso da Força Aérea dos EUA / Força Espacial de um Atlas V
18º-19º foguetes de propelente sólido GEM-63 lançados
79º lançamento de um Atlas V de Cabo Canaveral
5º lançamento do Atlas V de 2022
137º voo do veículo lançador descartável evoluído EELV, categoria à qual o Atlas V pertence
152º voo geral da United Launch Alliance
87º Atlas V sob a United Launch Alliance
110º voo da United Launch Alliance de Cabo Canaveral
6º lançamento de um satélite SBIRS GEO
57º voo da série 400 do Atlas V
9º Atlas V a voar na configuração 421
106º lançamento do Complexo 41
79º Atlas V a usar o Complexo 41
33º lançamento orbital geral de Cabo Canaveral em 2022

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