SpaceX lança Globalstar FM15

Satélite de comunicações europeu pode ter sido acompanhado outra de espaçonave

Foguete F9 v1.2 BL5 B1071.3 decola de Vandenberg

Um foguete Falcon 9 lançou o satelite Globalstar-2 FM15 do Complexo de Lançamento Espacial 40 (SLC-40) na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral hoje, 19 de junho de 2022 às 04:27 UTC (01:27 Brasilia). Após a separação, o primeiro estágio do foguete pousou na balsa-drone Just Read the Instructions, estacionada no Oceano Atlântico e rebocada pelo navio Finn Falgout. Esse primeiro estágio (core) do Falcon 9 número B1061 anteriormente lançou oito missões: as Crew-1, Crew-2, SXM-8, CRS-23, IXPE, Transporter-4, Transporter-5 e um lote de satélites Starlink. As duas metades da carenagem foram descartadas do foguete em T+ 2 minutos e 54 segundos. Após a reentrada, cada metade lançou um pára-quedas ao descer para o Oceano Atlântico, onde os barcos de recuperação da SpaceX os resgataram para traze-los à costa para reutilização.

O segundo estágio completou uma série de três queimas antes de ejetar a carga útil em T+ 1 hora, 53 minutos e 21 segundos. Se, a estarem certos os rumores, quaisquer cargas úteis de compartilhamento de viagens não anunciadas foram liberadas, não está claro se elas se separariam antes ou depois do Globalstar. O segundo estágio fez a 3ª ignição de seu motor Merlin Vac a 1.122 km de altitude, inferior aos 1.410 km para os satélites Globalstar de 2ª geração operacional.

Fase propulsiva do segundo estágio

O lançamento de hoje foi a terceira missão de um Falcon 9 em apenas 36 horas, que usaram todas as três plataformas de lançamento da SpaceX. A atividade começou com uma missão Starlink da outra plataforma da Costa Leste, o Launch Complex 39A no Kennedy Space Center, na sexta-feira. Isto foi seguido no sábado pelo satélite alemão SARah-1 da Base da Força Espacial Vandenberg na Costa Oeste, menos de 15 horas antes da missão Globalstar.

A espaçonave nº2 FM15 foi fabricada pela Thales Alenia Space como parte da constelação de satélites de comunicações de órbita terrestre baixa de segunda geração da Globalstar. Enquanto 24 de suas naves irmãs foram lançadas entre 2010 e 2013, esta permaneceu em terra reserva. Esses satélites de segunda geração, incluindo o FM15, são baseados na plataforma Extended Lifetime Bus 1000 (ELiTeBus-1000) da Thales e têm uma expectativa de vida operacional de 15 anos. Os vinte e quatro satélites já em órbita foram lançados em grupos de seis por foguetes Soyuz-2-1a/Fregat, que decolaram do Cosmódromo de Baikonur. A Globalstar planeja substituir esses satélites por uma espaçonave de terceira geração que será implementada a partir de 2025. No início deste ano, a empresa concedeu um contrato à MDA Corporation do Canadá para construir os primeiros dezessete satélites substitutos.

Imagem ‘vazada’ do segundo estágio mostrando o adaptador cilíndrico com o Globastar em cima e à esquerda e uma estrutura treliçada logo abaixo, que despertou especulações de que havia uma segunda carga útil a bordo

O FM15 fazia parte de um lote inicial de 25 satélites adquiridos para a constelação de segunda geração da Globalstar. A empresa pretendia encomendar satélites adicionais como sobressalentes; no entanto, em 2011, a Thales rejeitou um pedido de seis espaçonaves adicionais após uma disputa contratual entre as duas empresas. Isso deixou o FM15 como o único sobressalente disponível, e foi mantido em reserva até agora. O lançamento do FM15 ajudará a manter a constelação operacional até que os satélites construídos pela MDA entrem em atividade. Com uma massa de 700 quilos, o satélite está bem abaixo da capacidade de carga do foguete Falcon 9 que foi selecionado para colocá-lo em órbita. Além disso, o estágio pousou numa Autonomous Spaceport Drone Ship (ASDS, neste caso a Just Read the Instructions).

A ASDS é normalmente usado quando o foguete está transportando cargas mais pesadas ou visando órbitas mais altas, onde as restrições de desempenho o impedem de voar um perfil de retorno ao local de lançamento (RTLS). Esses fatores dão peso aos rumores de que uma carga clandestina do governo dos EUA também estava a bordo do foguete, juntando-se ao Globalstar-2 FM15 para o trajeto até a órbita. Se assim for, este é um nível de sigilo incomumente alto: para a maioria dos lançamentos classificados, a agência responsável é pelo menos identificada e o lançamento é anunciado – muitas vezes com um nome público, como as designações NRO Launch (NROL) usadas por missões para o Escritório National de Reconhecimento (NRO).

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