SpaceX lança mais uma missão Transporter hoje

Satelites de radar para o Brasil serão lançados em missão que inclui também um novo rebocador espacial Sherpa

A Transporter 5, mais uma missão de ‘compartilhamento de viagens’ de empresas como a Spaceflight em cooperação com a SpaceX, está programada para ser lançada hoje, 25 de maio de 2022, de Cabo Canaveral, na Flórida. O foguete Falcon 9 Block 5 v1.2 FT número B1061.8 decolará do Space Launch Complex 40, na estação da Força Aérea de Cabo Canaveral às 18:26:59.990 UTC (13:26:59.990 Brasilia). A órbita-alvo é uma síncrona com o Sol, com altitude média de 525 km. A liberação das trinta e nove cargas primárias está definida para 19:26:00.510 a 19:42:22.810 UTC (16:26:00.510 a 16:42:22.810 Brasilia).

O Falcon 9 deve ser lançado em direção ao sul de Cabo Canaveral e uma manobra perna-de-cachorro ‘dogleg’ será feita para atingir o azimute SSO. A recuperação das conchas da carenagem deve ocorrer ao norte de Cuba a cerca de 600 km a jusante do Cabo, pelo navio de apoio Bob. O segundo estágio deve fazer sua reentrada sobre o Pacífico Sul.

O B1061 deverá pousar de volta ao seu local de lançamento após este voo, no modo Retornar ao Sitio de Lançamento – return to launch site, RTLS; a aterrissagem será na zona de pouso 1 – LZ-1, localizada na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, no antigo LC-13. Um retorno ao local de lançamento geralmente significa que, após a separação do segundo estágio, o booster vira e faz uma queima de volta para o local de lançamento, pousando perto de onde decolou.

Dois satélites de sensoriamento por radar encomendados pelo Brasil estão na carga: os microssatélites LESSONIA – Carcará I e Carcará II – construídos pela ICEYE finlandesa.

Segundo o comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro do Ar Carlos de Almeida Baptista Junior, a tecnologia dos LESSONIA permitirá o rastreamento de faixas com até dois metros de largura. Será possível identificar princípios de incêndio florestais e pequenos garimpos ilegais escondidos na floresta. Os equipamentos vigiarão, em especial, a Amazônia e o mar territorial brasileiro (Amazônia Azul), a partir de uma tecnologia que permite a captação de imagens independentemente das condições atmosféricas.

Área de queda (vermelha) em caso de falha da ignição de retorno (boostback)
Área de queda do segundo estágio.

Esta missão é a estreia da nova variação do veículo de transferência orbital , Sherpa-AC. Este é uma versão aumentada do modelo Sherpa básico com recursos-chave, incluindo um computador de vôo, conhecimento e controle de atitude e um novo sistema de energia elétrica. Entre os principais clientes de lançamento estão a D-orbit, Momentus, Xona Space, NearSpace Launch, a Missile Defense Agency e o MIT Lincoln Laboratory:

Ejetores FOSSA para PocketQube
FOSSASAT-2E (7x 2P, FOSSA Systems, Espanha)
Veery FS-1 (1P, Care Weather Technologies, EUA),

SELFIESAT-1 (ORBIT NTNU),

Nanoracks:
Mars Outpost Tech Demo (“Testbed
Non Deployable Payload” com massa de 111kg)*

Ejetor/suporte Exolaunch (EXOpod):
Shared Sat 3 (6U, EnduroSat)
Planetum-1 (1U, Planetum, Rep. Checa)
Foresail-1 (3U, Aalto U., Finlandia)
LEMUR (6u, HANCOM inSpace/Spire)
LEMUR (2x 3U, DASA/Spire)
LEMUR (2x 3U, Spire)
Spark 2 (12U, Omnispace)

Dois suportes para cargas da Momentus
BRONCOSAT-1 (1.5U, Bronco Space/Cal Poly, EUA) + 4 outros
Vigoride VR-3 (de 411.5kg ; 120kg sendo propelente de água)

Spaceflight Inc
Rebocador OTV : Sherpa-AC
“Attitude Control” (5)
XONA Alpha (XONA, EUA)*
TROOP‐3 (NearSpace Launch, EUA)*
CNCE (CubeSat Networked Communications Experiment)
AMS (Agile Micro Sat) (cubesat 6U-XL, MIT Lincoln Lab)
Block 2 (dois cubesats tamanho 3U, Missile Defense Agency)

Satélite-plataforma da D-Orbit, ION – SCV 006
Capella 9 (112kg) – Satellogic cubesats
CPOD A/B (2x 3U, Tyvak para a NASA)
Hawkeye 360 Cluster 5 (três satélites de 29kg)
KUbeSat ( Universidade do Kansas, EUA)
VariSat-1 A/B/C (3x 6U) | PTD-3/Tyvak-0125 (cubesats 6U)
ICEYE US (2 sats) | Centauri 5 (6U, Fleet, Tyvak)
GHOSt-01,-02 (2x 91.4kg, Orbital Sidekick, EUA)

TBIRD (NASA) – uma OctoBucket Platform (OmniTeq)

* – representa cargas estacionárias/não ejetáveis

Os satélites LESSONIA-1 para serviço do Brasil serão ejetados a partir do satélite-ejetor ION da D-Orbit:

O Projeto LESSONIA-1 visa a aquisição de um Sistema Espacial completo, composto pelo Segmento Espacial (dois satélites de sensoriamento remoto radar na banda X) e pelo Segmento Terrestre (toda a infraestrutura de solo necessária para a operação desses satélites) para ser instalado no Comando de Operações Aeroespaciais – COMAE (Centro de Operações Espaciais – COPE e Centro Conjunto Operacional de Inteligência -CCOI). São dois Satélites de Sensoriamento Remoto Radar modelo X2 da fabricante ICEYE; Segmento Terrestre completo (toda a infraestrutura de solo necessária para a operação dos satélites) para operação do Segmento Espacial. O valor total do contrato entre o Comando da Aeronáutica e a empresa ICEYE é de US$ 33.874.000,00.

A contratação da Space X, porém, não tem participação do governo brasileiro. Por contrato, a empresa finlandesa é quem tem a responsabilidade de contratar a lançadora dos satélites. A Força Aérea só começará a operar os equipamentos a partir do Centro de Operações Especiais da FAB, em Brasília, quando os aparelhos estiverem em órbita.

A principal diferença entre o satélite-radar e os equipamentos óticos convencionais é que o segundo não consegue “fotografar” os alvos à noite, ou se o tempo estiver encoberto no momento do rastreamento. O satélite-radar independe das condições meteorológicas.

O tenente-brigadeiro do Ar Carlos de Almeida Baptista Junior assegurou que os dados disponibilizados pelos novos satélites serão compartilhados com órgãos de fiscalização, controle e pesquisa civis, como Ibama, Polícia Federal e universidades. “As imagens são de ótima resolução e captam até a presença de metais na superfície”, disse Baptista Junior.

São dois satélites de sensoriamento remoto por radar (SRR), batizados Carcará I e Carcará II

Informações Operacionais
Dois satélites, denominados Carcará I e Carcará II, com cinco painéis solares com potência de 300 W e uma antena plana de radar
Peso: aproximadamente 85kg
Altitude: aproximadamente 570 km
Inclinação: 97°
15 órbitas por dia
TTC: Banda S
Downlink: Banda X
Radar de abertura sintética – Synthetic Aperture Radar (SAR) Banda X
Polarização: VV
Potência emitida: 4kW
Vida útil de aproximadamente 3 anos

Imagem padrão modo Stripmap:
Tamanho: 30km por 50km
Ângulo de Incidência: entre 10° e 30°
Resolução Espacial: 3 metros

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