Rocketlab lança satélites e testa recuperação de estágio no ar

Foguete foi capturado por um helicóptero e depois largado no mar; teste visa reutilização em futuros voos

Foguete decola de Mahia

O foguete Electron F26, na missão “There and Back Again”, da Rocketlab, foi lançado às 22:49 UTC (19:49 Brasilia) de ontem, 2 de maio, colocando trinta e quatro satélites em uma órbita síncrona com o sol de 520 km. Foi ensaiado recuperar e reutilizar o primeiro estágio do foguete Electron da empresa com sede na Califórnia tentou uma recuperação no ar pela primeira vez. Após uma captura bem-sucedida, o piloto do helicóptero de recuperação notou “características de carga diferentes do esperado e soltou o foguete para que pudesse descer suavemente para uma recuperação no oceano.” A missão estava originalmente programada para ser lançada em 19 de abril, mas foi repetidamente adiada para aguardar o clima favorável para a tentativa de recuperação. Este foi o 26º lançamento do Electron e o terceiro de 2022. O número total de satélites lançados pela Rocket Lab para 146. A missão “There and Back Again” foi lançada do Complexo de Lançamento 1A do Rocket Lab, localizado na Península de Māhia, na Nova Zelândia. O Electron é um foguete de propelente líquido de dois estágios que foi projetado e fabricado internamente pela Rocket Lab com o objetivo de atender ao mercado de lançamento de pequenos satélites. O veículo tem 18 metros de altura, 1,2 metros de largura e é feito principalmente de material compósito de fibra de carbono. Para esta missão, o terceiro estágio (kick stage) fez uma ignição para circularizar sua órbita, com início em T+57 minutos 43 segundos, e corte em T+ 59 min 11 s. Todas as ejeções de carga útil ocorreram logo após o desligamento do motor.

O complexo de lançamento privado tem duas plataformas de lançamento, LC-1A e LC-1B, e permite aumentar sua cadência de lançamento. Uma terceira plataforma de lançamento, o Launch Complex 2 (LC-2), está localizada nos Estados Unidos no Mid-Atlantic Regional Spaceport (MARS) em Wallops Island, Virgínia. O LC-2 ainda não fez um lançamento do Electron, com sua missão de estreia prevista, carregando um satélite para o HawkEye 360 ​​,programada para dezembro de 2022.

Quatro satélites vêm da Alba Orbital e consistem em quatro pico-satélites. Pico-satélites são geralmente satélites que pesam menos de 1kg. Três dos satélites foram construídos pela empresa My Radar, sendo dois nomeados TRSI-2 e 3, juntando-se ao satélite TRSI-1 que foi lançado em órbita a bordo da missão “Running out of Fingers” em 2019. O terceiro foi o MyRadar-1. Outro satélite, também da Alba Orbital, o Unicorn-2, carrega uma sistema de imagem noturna óptica projetada para monitorar a poluição luminosa. Outro satélite pertence à Astrix Astronautics e lançou o sistema “Copia” da empresa, que visa melhorar as restrições de potência de pequenos satélites.

O satélite seguinte é o AuroraSat-1, da Aurora Propulsion Technologies. O satélite é um CubeSat de tamanho 1,5U e demonstrará tecnologias de remoção de lixo espacial. O AuroraSat-1 também testará seus freios de plasma extensíveis, que combinam um micro-cabo de interação com partículas carregadas no espaço, ou plasma ionosférico, para gerar quantidades significativas de arrasto para desorbitar o aparelho com segurança no final de sua vida útil.

Três satélites vêm da empresa E-Space e consistem em três aparelhos de demonstração para o “sistema de satélite sustentável” da empresa. No final de suas vidas operacionais, os satélites tentarão capturar pequenos detritos antes de se desorbitar na tentativa de reduzir a quantidade de detritos em órbita. Outra carga útil lançada nesta missão é o satélite BRO-6. Este será o sexto da constelação gerida pela UNSEENLABS e “melhorará a capacidade das constelações de detectar sinais de radiofrequência”. Isso dará à empresa a capacidade de detectar embarcações no mar, mesmo quando o farol cooperativo da embarcação estiver desligado.

Barco de apoio ‘pescou’ o foguete no mar

As cargas finais lançadas na missão são duas pilhas de CubeSats SpaceBEE. Os SpaceBEEs são cubesats tamanho 0,25-1U construídos e operados pela Swarm Technologies. Com esses satélites, a empresa atualmente opera uma constelação de internet via satélite de baixa largura de banda para uso com dispositivos de internet das coisas.

Em 2019, o fundador e CEO da Rocket Lab, Peter Beck, anunciou planos para tornar o Electron parcialmente reutilizável. Ao contrário dos foguetes Falcon 9 e Falcon Heavy da SpaceX – que pousam de volta à terra ou no mar – a Rocket Lab pretende capturar o primeiro estágio de helicóptero enquanto desce de paraquedas. Esta não foi a primeira tentativa de recuperação de estágios feita pela empresa; no entanto, foi a primeira vez que se tentou pegar o booster enquanto ele descia de paraquedas. Durante a 16ª missão, chamada “Return to Sender”, o estágio lançou seu pára-quedas, caiu com sucesso no oceano e foi recuperado. A missão demonstrou que o ‘booster’ poderia sobreviver à reentrada e controlar com sucesso sua descida enquanto estava de paraquedas e nenhuma tentativa de captura foi planejada. Duas recuperações adicionais também foram conduzidas usando o mesmo método e permitiram à RocketLab obter mais dados sobre como o Electron sobrevive à reentrada e quais melhorias podem ser feitas em veículos futuros. Uma dessas melhorias é a adição de um novo sistema de proteção térmica extra-fino, projetado para ajudar a proteger o estágio do calor da reentrada. O revestimento dá ao estágio uma aparência metálica mais brilhante, em oposição ao visual preto usual do foguete. Essa primeira tentativa de captura também ocorre depois que muitos testes de recuperação no ar foram feitos usando um artigo de teste que simulava o primeiro estágio.

Baia de motores do Electron

Para esta tentativa de captura, a empresa utilizou um novo integrante de sua frota, um helicóptero Sikorsky S-92 customizado. Cerca de uma hora antes da decolagem, o helicóptero se posicionou na zona de recuperação a cerca de 150 milhas náuticas da costa da Nova Zelândia. Depois de reentrar na atmosfera, e cerca de sete minutos após a decolagem, o foguete lançou um pára-quedas a cerca de 13 km, seguido pelo pára-quedas principal a 6 km. Pouco mais de oito minutos após a decolagem, diminuiu a velocidade do veículo para quase 10 metros por segundo ; cerca de 18 minutos após a decolagem, o helicóptero voou logo acima do foguete e prendeu seu pára-quedas com um gancho. O gancho foi projetado para recolher o pára-quedas e prender o veículo para transporte de volta à terra firme. Foi logo após uma captura bem-sucedida que o estágio foi descartado para garantir a segurança do helicóptero e de seus pilotos. Depois que o estágio for recuperado no mar, os engenheiros poderão inspeciona-lo e analisar sua adequação para outro voo. Ser capaz de inspecionar o equipamento já usado oferece aos engenheiros uma oportunidade melhor de ajudar a aperfeiçoar futuros foguetes.

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Autor: homemdoespacobrasil

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