Primeira tripulação comercial decola para a ISS neste fim da semana

Axiom enviará seu astronauta-chefe e três turistas a bordo de nave da SpaceX

A empresa espacial americana Axiom Space, sediada em Houston, deve lançar com a SpaceX quatro pessoas ao espaço, a bordo da espaçonave Crew Dragon Endeavour C206 para a ISS, com horário de lançamento previsto para não antes de sexta-feira, 08 de abril de 2022 às 15:17 UTC, com decolagem da LC-39A em Cabo Canaveral. O foguete-portador será o Falcon 9 v1.2 FT número B1062.5 e a missão é denominada Ax-1.

O primeiro estágio B1062.5 deverá pousar na balsa-drone A Shortfall of Gravitas, que estará estacionada a 500 km de distância do Cabo Canaveral, tendo como navios auxilares os Doug (rebocador) Shannon e Megan.

Originalmente planejado para lançamento no final de 2021 atrasada de 21 de fevereiro a 30 de março, a missão foi mais uma vez adiada para um antes de 17:13 UTC de domingo, 3 de abril. Em resposta, para garantir “espaçamento apropriado para operações e revisões de dados pós-voo entre missões de voos espaciais tripulados e para permitir várias tentativas consecutivas de lançamento com base na mecânica orbital para chegada à estação espacial”, a NASA e a SpaceX optaram por atrasar a quarta missão operacional de de astronautas com uma Crew Dragon , a Crew-4, de 15 de abril às 10:45 UTC para 19 de abril. De acordo com a NASA e a Axiom, a missão foi adiada de modo a “permitir que as equipes concluíssem o processamento final da espaçonave”.

A tripulação multinacional de quatro pessoas é composta pelo comandante Michael López-Alegría dos EUA/Espanha, o piloto Larry Connor dos EUA, o especialista de missão Eytan Stibbe de Israel e o especialista da missão Mark Pathy do Canadá. Quanto cada passageiro pagou pela experiência não é de conhecimento público. “Geralmente não falamos sobre os pagamentos específicos que nossos clientes fazem”, disse o CEO da Axiom, Michael Suffredini, durante a coletiva de imprensa. “Tem sido amplamente divulgado como números na casa das dezenas de milhões, os quais eu não discutiria, mas geralmente não falamos sobre os preços específicos”. O quarteto será a primeira tripulação totalmente privada a visitar a Estação Espacial Internacional; os astronautas privados anteriores voaram como um ou dois indivíduos acompanhados por astronautas do governo conduzindo uma missão de rotina. A Axiom escolheu, para cada voo planejado que organiza, ser liderado por um astronauta aposentado para aumentar o conforto com o arranjo.

No início de 2020, a Axiom anunciou o contrato com a SpaceX para lançar quatro pessoas a bordo de uma Crew Dragon para a ISS e após meses de treinamento, a ‘Ax-1 Crew’ entrou na quarentena prevista no cronograma. Para marcar o estágio final de preparação, a Axiom divulgou fotos da tripulação em seus trajes leves de voo. Completaram centenas de horas de treinamento excedendo os requisitos da NASA.

Espaçonave Crew Dragon pesa cerca de 12.500 kg e tem 8,3 metros de comprimento e 3,88 m de diâmetro

Para se preparar para a missão de 10 dias, incluindo oito a bordo da ISS, cada tripulante completou treinamento em segurança, saúde, sistemas da ISS, operações do local de lançamento, protocolos de emergência e treinamento adicional para cargas úteis de pesquisa e demonstração de tecnologia. Enquanto estiverem na estação, os astronautas da Ax-1 completarão mais de 25 experimentos científicos e demonstrações de tecnologia. A missão Ax-1 é uma missão de desbravamento para a Axiom Station da Axiom Space, a primeira estação espacial comercial do mundo.

Disposição dos astronautas no cockpit

Lopez-Alegria é um ex-piloto naval e astronauta da NASA que comandou três missões espaciais em sua carreira; foi membro de quatro voos espaciais e passou um total de 257 dias no espaço, durante os quais fez dez caminhadas espaciais, passando 67 horas e 40 minutos fora da estação.
Lopez-Alegria deixou a NASA em março de 2012. Com a Axiom, ele estará novamente no comando, e será responsável pela gestão da espaçonave Crew Dragon, garantindo a segurança da tripulação. “Este voo histórico marcará um momento decisivo no caminho para o acesso universal ao espaço. Esta será apenas a primeira de muitas missões à ISS da Axiom Space. A aquisição de assentos marca um progresso significativo em direção ao nosso objetivo, e temos o prazer de fazer parceria com a SpaceX nessa direção”, disse o executivo-chefe da Axiom, ex-chefe do programa da ISS na NASA, Michael Suffredini.

A Axiom Space espera que eles possam visitar o segmento russo da estação durante a sua estadia a bordo. O anúncio foi feito durante um briefing por telefone sobre o voo, do CEO da empresa. “Estamos trabalhando para garantir que toda a estação seja acessível à nossa tripulação. Quanto ao segmento russo, depende do que será incluído no programa da missão. O astronauta profissional Michael Lopez-Alegria, que já esteve lá, conhece os sistemas, e esperamos que isso convença nossos parceiros para lhes dar a oportunidade de visitar o segmento russo”, disse.

Michael López-Alegría

Michael López-Alegría é o astronauta-chefe da Axiom Space e comandante da missão Ax-1. Voou quatro vezes ao espaço, voado nas missões do ônibus espacial STS-73, STS-92 e STS-113, e serviu como Comandante da Expedição 14 da ISS, voando para a ISS a bordo da nave russa Soyuz TMA-9. Ele detém os recordes da NASA para o maior número de atividades extraveiculares (EVA) ou “caminhadas espaciais” e tempo acumulado de EVA (67 horas e 40 minutos). Em 2021, ele foi incluido no Hall da Fama dos Astronautas dos EUA. Seu trabalho na Ax-1 “aproveita sua experiência na exploração espacial tradicional para ajudar a criar uma nova era de voos espaciais tripulados privados”. Anteriormente, López-Alegría foi Presidente da Federação de Voos Espaciais Comerciais e atuou em vários conselhos e comitês consultivos, incluindo o Comitê de Exploração e Operações Humanas do Conselho Consultivo da NASA, o Comitê Consultivo de Transporte Espacial Comercial da FAA e é Presidente do Comitê Internacional da ASTM em Voo Espacial Comercial. Ele também é o ex-presidente da Association of Space Explorers. López-Alegría nasceu em Madrid, Espanha, e emigrou para os Estados Unidos com a família. Seu filho Nicolas (Nico) López-Alegría está atualmente trabalhando em um documentário sobre sua missão.

Experimentos

Larry Connor

Larry Connor: A principal área de pesquisa de Connor será em torno do impacto das viagens espaciais nas células senescentes (células que pararam de se dividir irreversivelmente, mas não morreram) e na saúde do coração. Esse tipo de célula tem sido associado a várias doenças relacionadas à idade. Na Terra, a pesquisa de Connor tende a se concentrar em ressonâncias magnéticas pré- e pós-missão para estudar os efeitos do ambiente do voo espacial nos tecidos espinhal e cerebral.

Mark Pathy

Mark Pathy: Pathy trabalhará em parceria com seis universidades canadenses e duas startups de tecnologia, incluindo pesquisas sobre holotransporte bidirecional – um aplicativo de realidade mista para lentes especiais que possui projeções 3D bidirecionais como um holograma para se comunicar. Ele também realizará observações da Terra, pesquisar a Síndrome Neuro-Ocular Associada ao Voo Espacial (uma mudança na nitidez visual experimentada por muitos astronautas) e outros projetos com diferentes universidades.

Eytan Stibbe

Eytan Stibbe está na tripulação do Axiom-1 em nome da Fundação Ramon e em colaboração com a Agência Espacial de Israel. A Axiom afirmou que durante seu tempo no espaço ele estará realizando experimentos e atividades educacionais para a geração mais jovem em Israel. Há um pouco menos de detalhes sobre os experimentos exatos que Stibbe conduzirá em comparação com seus colegas pesquisadores.

Contratos com a NASA

A missão exigiu que a Axiom fizesse um arranjo de acordos com parceiros, incluindo SpaceX, o Johnson Space Center, o Kennedy Space Center e outros. O acordo com a NASA é apenas uma peça do arranjo.
O acordo cobre itens como comida e água para os tripulantes, tempo dos astronautas para preparar a estação para a visita do veículo e outros custos associados à visita, disseram representantes da NASA e da Axiom durante uma entrevista coletiva. O texto completo do acordo não foi disponibilizado ao público.
Os custos incorporados ao acordo foram determinados em 2019, quando a NASA anunciou pela primeira vez que estaria disposta a receber até dois voos particulares de astronautas para a estação por ano, cada um por até 30 dias. Na época, funcionários da NASA estimaram que uma visita poderia custar cerca de US$ 35.000 por dia.
Entre esse esquema de preços, o acordo que não representa uma contabilidade abrangente dos custos da missão e a NASA pagando à Axiom pela capacidade de armazenamento no voo de volta à Terra para cargas úteis científicas que devem permanecer em baixas temperaturas, o acordo resultou na NASA pagando à Axiom um saldo de US$ 1,69 milhão.
No entanto, o Ax-1 será a única missão a voar com essas ‘taxas de barganha’. No final de abril passado, a NASA atualizou seus preços para visitas à estação espacial. De acordo com as informações, o aumento de custos foi dramático.
Sob a política antiga, o suporte de vida e suprimentos de tripulação para uma missão hipotética de quatro pessoas e uma semana à ISS custaria US$ 945.000, um valor que não inclui armazenamento, coleta de dados ou eletricidade. Sob a nova política, os encargos de carga, alimentos e suprimentos para a mesma missão seriam mais de US$ 2,5 milhões na extremidade inferior das faixas de custo citadas, mais US$ 10 milhões em taxas por missão.
Essa mudança de preço se deve à Axiom e outras empresas semelhantes que desejam mais visitas à estação espacial do que a NASA pode suportar, segundo funcionários da agência.

A tripulação é composta pelo comandante Michael López-Alegría dos EUA/Espanha, o piloto Larry Connor dos EUA, o especialista da missão Eytan Stibbe de Israel e o especialista da missão Mark Pathy, do Canadá.

“Estamos vendo muito interesse em missões de astronautas particulares”, disse Angela Hart, gerente de desenvolvimento comercial de órbita terrestre baixa no Centro Espacial Johnson em Houston, durante uma entrevista coletiva.
“Neste momento, a demanda supera o que realmente acreditamos que serão as oportunidades na estação”, disse ela, especificando que a falta de equilíbrio entre oferta e demanda foi o motivo pelo qual a agência atualizou seu procedimento de visita a missões comerciais, a fim de deixar claro o tempo na estação espacial “é um recurso limitado”.

Turistas
Suffredini também disse que a Axiom Space espera fazer voos regulares de turistas espaciais para a ISS no futuro. “Gostaríamos de voar pelo menos duas vezes por ano, e já temos planos para o segundo, terceiro e quarto voo com turistas”, disse, adiantando que a concretização destas intenções dependerá da disponibilidade de transporte e da capacidade da ISS em receber visitantes.
Ao mesmo tempo, o chefe da Axiom Space observou que a empresa quer construir sua estação espacial, conforme planejado em outros acordos com a NASA.
Isso significa que a empresa terá acesso à porta frontal no módulo Harmony e poderá usá-la para construir uma estação espacial comercial que eventualmente substituirá a própria ISS.

A Axiom foi fundada em 2016 por Michael Suffredini e o empresário espacial Kam Ghaffarian

Em 2020, como parte da iniciativa cislunar Next Space Technologies for Exploration Partnership (NextSTEP – num período de pedidos de até sete anos, consistindo de um período-base de cinco anos e uma opção de mais dois), a NASA concedeu à Axiom um contrato de US$ 140 milhões para oferecer pelo menos uma espaçonave habitável para ser anexada à Estação Espacial Internacional. A Axiom foi a única proposta selecionada do processo de solicitação com vencimento em 2019. A Bigelow Aerospace não apresentou uma proposta e posteriormente cessou os trabalhos.
Os módulos construídos pela Axiom são projetados para serem conectados à porta frontal do módulo Harmony com a intenção de demonstrar a capacidade de oferecer serviços e produtos comercialmente em órbita terrestre. O “Segmento Axiom” foi planejado, a partir de janeiro de 2020, para incluir um módulo multiporta para atuar como um conector, uma instalação de pesquisa e fabricação, um habitat da tripulação e um módulo de “janelas grandes” para visualização da Terra.

“A NASA mais uma vez reconheceu o trabalho árduo, talento e experiência dos habitantes de Houston à medida que expandimos a Estação Espacial Internacional e promovemos oportunidades comerciais no espaço”, disse o senador John Cornyn, do Texas. “Estou orgulhoso de que a Axiom continuará a construir sobre o legado do Texas de liderar a nação na exploração espacial humana.”

Foguete Falcon 9 v1.2 FT Bl5

Essa seleção é um passo significativo para permitir o desenvolvimento de destinos comerciais independentes que atendam às necessidades de longo prazo da NASA em órbita terrestre baixa, além da vida útil da estação espacial, e continuem a promover o crescimento de uma economia robusta em órbita terrestre baixa.
“O anúncio do acordo é um passo empolgante e bem-vindo nos esforços para comercializar a órbita da Terra”, disse o senador Ted Cruz, do Texas. A Estação Espacial é, e continuará sendo, para o desenvolvimento de novas tecnologias para a órbita e além, e para continuar a liderança da América no espaço. Parabéns à Axiom Space por este prêmio emocionante – Houston é conhecida como “Space City” por um motivo, e estou ansioso para que esta grande empresa da Space City e a NASA transformem este anúncio em realidade.”

O desenvolvimento de destinos comerciais na órbita da Terra é um dos cinco elementos do plano da NASA para abrir a Estação Espacial a novas oportunidades comerciais e de marketing. Os outros elementos do plano incluem esforços para disponibilizar recursos da estação e sua tripulação para uso comercial por meio de uma nova política de preços; permitir missões de astronautas particulares para a estação; buscar oportunidades para estimular a demanda sustentável e de longo prazo por esses serviços; e quantificar a demanda de longo prazo da NASA para atividades em órbita baixa da Terra.

“O trabalho da Axiom para desenvolver um ‘destino comercial’ no espaço é um passo crítico para a NASA atender às suas necessidades de longo prazo para treinamento de astronautas, pesquisa científica e demonstrações de tecnologia em órbita”, disse o administrador da NASA à época, Jim Bridenstine. “Estamos transformando a maneira como a agência trabalha com a indústria para beneficiar a economia global e avançar na exploração espacial”.

A agência continuará precisando de pesquisas e testes de microgravidade em órbita baixa para permitir futuras missões à Lua e a Marte, incluindo a chegada da ‘primeira mulher e do próximo homem’ à Lua com a missão Artemis III como parte da exploração lunar da agência.

Fases de resgate de emergência no lançamento
Trajetória de ascensão
Reentrada prevista do segundo estágio do foguete

A Axiom esteve recentemente no noticiário por intermediar um assento de última hora para a NASA a bordo da espaçonave russa Soyuz MS-18. O astronauta da NASA Mark Vande Hei ocupou aquele assento, juntando-se aos cosmonautas russos Oleg Novitskiy e Pyotr Dubrov; o trio passou 355 dias em órbita. Em troca, a NASA levará um astronauta da seleção da Axiom em um veículo comercial dos EUA em 2023.

Tripulação em treinamento de cabine

Estação espacial privada

Se Michael Suffredini pretende reduzir o preço da primeira estação espacial privada para US$ 3 bilhões – em comparação com os US$ 100 bilhões que custou para construir a ISS ele tem algumas decisões a tomar sobre o que fazer, por exemplo o que terceirizar e o que construir internamente.
“Construir um penico é um conceito simples”, disse Suffredini enquanto usava botas de cowboy e um blazer na frente de uma maquete de isopor de um banheiro espacial que pode extrair água da urina para reutilização. “Mas é uma coisa difícil de fazer.” Perto dali, uma equipe trabalhava em torno de uma réplica de madeira da concha hexagonal da estação, com diagramas e esboços afixados no interior de compensado.
A Axiom calcula que pode reduzir significativamente o custo de uma estação espacial, em grande parte devido aos avanços na tecnologia que permitem componentes menores que reduzem os custos de lançá-los e armazená-los. Na ISS, muitos componentes foram adicionados ao exterior, exigindo caminhadas espaciais caras para manutenção.
“A estação espacial internacional foi construída quando ainda estávamos tentando descobrir como manter os tripulados no espaço, então eles eram muito, muito conservadores”, disse Suffredini. Ele espera que US$ 3 bilhões cubram os primeiros quatro módulos da Axiom e uma torre de produção de eletricidade.

Projeto da estação comercial da Axiom

A Axiom, fundada em 2016 por Suffredini e o empresário espacial Kam Ghaffarian, destaca-se entre as poucas ‘startups’ espaciais que tentam construir a primeira estação espacial comercial, e não apenas por causa da carreira de 30 anos de dele na NASA, que incluiu uma década gerenciando o programa da ISS.

Outros grupos incluíam a Blue Origin, de Jeff Bezos, que fez parceria com a Sierra Space para construir uma estação com compartimento de armazenamento de carga e módulos habitacionais de três andares com ‘jardins’; A empreiteira aeroespacial Northrup Grummon, que fez parceria com uma subsidiária da empreiteira Leidos; e a Starlab da Nanoracks, com um braço robótico para carga e um grande habitat inflável projetado pela Lockheed Martin.
Andy Lapsa, ex-engenheiro da Blue Origin e co-fundador da Stoke Space, que pretende levar satélites ao espaço com foguetes reutilizáveis, disse que a competição por uma estação comercial em órbita terrestre é apenas uma faceta do ‘boom’ do financiamento espacial, já que o primeiros turistas chegaram ao espaço no ano passado. “Jeff Bezos por muito tempo falou sobre uma explosão empresarial no espaço”, disse ele. “Nós estamos começando a ver isso agora. Há mais de um vencedor.”

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