A verdade da novela Oneweb – Rússia

Ordem do Pentágono de dois anos atrás já limitava o lançamento de equipamento americano pelos russos

A partir do início de 2023, entra em vigor a proibição do Pentágono de lançar satélites por foguetes russos. Foi um sinal dos Estados Unidos para o mercado comercial, e os resultados não tardaram a chegar. A britânica OneWeb foi obrigada a iniciar negociações para o lançamento de seus satélites de segunda geração por veículos indianos. A situação atual apenas acelerou esse desenlace.

A invasão da Ucrânia pela Rússia levou os britânicos a vetarem os lançamentos dos satélites Oneweb por foguetes russos. Em meio à chuva de desinformação da mídia ocidental, majoritariamente anti-russa, a verdade sobre esta novela revela-se mais um capítulo de uma história de hipocrisia.

O foguete Soyuz 2, em suas versões 2.1b e ST-B, eram usados até agora para lançar os Onewebs

Dmitry Rogozin, diretor da Roskosmos, afirmou que o programa espacial russo será ajustado para criação de mais satélites de uso duplo. Devido à recusa do Reino Unido de lançar satélites OneWeb, a estatal russa liberou seis veículos lançadores Soyuz-2, que podem e devem ser usados ​​para lançar cargas russas. Acontece que que sanções americanas da onda anterior (nos conflitos de 2014) já haviam proibido lançamentos de satélites com componentes dos EUA por foguetes russos a partir de 2023 – e então a empresa já iniciara negociações com a Índia para lançar suas espaçonaves.

A partir do início de 2023, entra em vigor a proibição do Pentágono de lançar seus satélites por veículos lançadores russos. Foi um sinal claro dos Estados Unidos para todo o mercado comercial, e os resultados não tardaram a chegar. A britânica OneWeb, sendo um dos clientes-âncora para os lançamentos comerciais da Roskosmos, foi obrigada a iniciar negociações para o lançamento de seus satélites de segunda geração por veículos lançadores indianos. Portanto, a situação atual apenas acelerou o desenlace.

Soyuz decola de Kourou

A OneWeb enviou uma carta de intenções à agência espacial indiana ISRO sobre o possível lançamento de seus satélites a partir de 2022. Quase todos os satélites anteriores da empresa foram lançados pela Roskosmos. Além disso, eles representavam a maior parte dos lançamentos comerciais russos. Na verdade, estas são negociações preliminares sobre o lançamento da segunda geração dessas espaçonaves. Mas primeiro, a colocação de 648 satélites da primeira geração teria que ser concluída. E seriam lançados por foguetes Soyuz, de acordo com um contrato com a Arianespace de 2015. Isso requer mais de quinze lançamentos de Vostochny e Baikonur por foguetes Soyuz-2.1b e Soyuz-ST-B de Kourou.

Até o final de 2021, mais dois lançamentos estavam planejados no interesse da OneWeb – o restante deveria ocorrer antes do final de 2022. Ao mesmo tempo, a partir do final de 2021 estava previsto começar a prestar serviços aos consumidores nos territórios do Ártico (acima do paralelo 50 de latitude norte). E até o final de 2022, começar a fornecer serviços globalmente.

Foguete indiano PSLV é um candidato a lançar os satélites

Após a falência em março de 2020, a OneWeb é de propriedade do governo do Reino Unido e da gigante indiana de telecomunicações Bharti Global. Portanto, a transferência de atenção para a ISRO era bastante previsível. O atual contrato de exclusividade com a Arianespace para o lançamento da primeira geração da constelação nos Soyuz foi assinado antes mesmo da falência da empresa britânica, quando foi oferecida à Rússia uma opção de compra de uma participação de 12,5% na holding – e até planos foram traçados para produzir parte das naves na Rússia. Mas o destino decretou o contrário. Espera-se que a constelação orbital da segunda geração tenha vários milhares de satélites. Se o acordo com a ISRO for assinado, e a OneWeb puder provar a viabilidade de seu modelo de negócios (e sobreviver na competição com as constelações SpaceX Starlink, Amazon Kuiper, Telesat Lightspeed, etc.), será possível verificar a confiabilidade dos veículos lançadores indianos. Até agora, de pelo menos 50 lançamentos de foguetes de classe média PSLV, 45 foram bem-sucedidos, e o novo GSLV Mk.3 teve apenas 4 lançamentos e suas estatísticas ainda não foram acumuladas.

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