Arianespace lança satélites militares franceses amanhã

Foguete VEGA colocará três CERES em órbita

Sistema CERES

No décimo-segundo lançamento da Arianespace em 2021, o lançador leve VEGA vai decolar do Centro Espacial de Kourou, amanhã, 16 de novembro de 2021, às 09:27 UTC (06:27 de Brasília) com três satélites CERES. A massa por satélite é de 446 kg – para uma massa total de 1.548 kg; os CERES serão colocados numa órbita semi-síncrona com inclinação de 75 graus, com altitude média de 670 km. Os satelites serão liberados do suporte aos 56 minutos e 44 segundos de voo.

O sistema CERES (CapacitÉ de Renseignement Électromagnétique Spatiale, ou capacidade de inteligência eletromagnética espacial), primeiro sistema operacional francês de inteligência de sinais baseados no espaço (signals intelligence, ou SIGINT) do Ministério da Defesa da França, estava programado para ser lançado em 2020. O CERES é uma constelação de três satélites que se destinam a detectar, localizar e caracterizar sinais eletromagnéticos no solo, emitidos por sistemas de radiocomunicação e radares inimigos, para fornecer alertas antecipados e capacidades de detecção de mísseis balísticos para as Forças Armadas francesas. Também ajudarão a melhorar a consciência situacional e a segurança em campo de batalha. A Airbus Defence and Space, a Thales Airborne Systems e a Thales Alenia Space são as principais contratadas para o sistema. A agência francesa de compras de defesa, Direction Générale de l’Armement (DGA), fornecerá serviços de gerenciamento de projetos para o programa. Este programa permitirá, por exemplo, especificar o perigo que representam os radares inimigos para garantir a supremacia dos aviões franceses ou para determinar a arquitetura das redes de comunicação inimigas. Ou seja, a França poderá enviar seus aviões com total independência, que poderão entrar primeiro em um teatro externo de operações, ao contrário da Líbia, onde a ajuda dos Estados Unidos foi determinante.

O sistema é composto pelos três satélites, posicionados próximos um do outro e destinados à detecção e localização de emissões eletromagnéticas no solo. É o uso simultâneo dos três, posicionados em um triângulo, que permite localizar a emissão. Equipados com sensores de alto desempenho, os satélites oferecerão frequência de revisita diária em todos os climas e serão capazes de coletar dados que permitem a caracterização e localização dos transmissores. “Quando um radar emite um sinal, cada um dos satélites recebe esse sinal em um horário um pouco diferente ”, explicou um especialista do CNES (Centre National d’Etudes Spatiales – a agência espacial francesa). É cruzando as informações coletadas por cada um e comparando o tempo de recepção do mesmo sinal que podemos localizar a localização do transmissor. Fazendo o exercício para cada par de satélites (satélite 1 / satélite 2 – satélite 1 / satélite 3 – satélite 2 / satélite 3), chegamos a uma localização muito precisa. Daí a necessidade de ter três satélites trabalhando juntos”, explicou o CNES em um comunicado à imprensa.

Desenvolvimento do CERES – A DGA francesa notificou um acordo para o projeto e desenvolvimento da missão de inteligência eletrônica em 2013. O projeto recebeu sinal verde oficial em março de 2014. Em março de 2015, a DGA fechou o contrato com a Thales e a Airbus para o desenvolvimento e implementação do sistema, incluindo o segmento espacial, segmento terrestre de usuário e cargas úteis de SIGINT. Como parte do acordo contratual, as empresas também forneceriam suporte permanente para o sistema.

A Airbus Defense and Space construiu o segmento espacial composto pelos satélites, enquanto a Thales forneceu o chassi / plataforma, cargas úteis e segmento de solo do usuário sob subcontrato da Airbus. O CNES, em parceria com a DGA, adquiriu serviços de lançamento e segmento de controle de solo. O programa CERES está avaliado em 450 milhões de euros (US$ 493,25 milhões) e faz parte da Lei de Planejamento Militar de 2014-2019. Seu desenvolvimento baseia-se nos microssatélites-demonstradores ELISA (inteligência eletrônica) e ESSAIM (inteligência de comunicações), lançados em dezembro de 2011 e dezembro de 2004 respectivamente.

Os CERES serão os 47º ao 49º satélite franceses a serem lançados pela Arianespace. Serão também os 134º ao 136º satélites da Airbus Defence and Space a serem lançados pela Arianespace. Existem atualmente dezesseis satélites da Airbus na carteira da Arianespace, e os CERES 1, 2 e 3 serão os 116º ao 118º satélites de observação da Terra lançados pela operadora européia. As missões de observação representam 11% do número total de satélites lançados pela Arianespace.

Foguete VEGA

O VEGA (Vettore Europeo di Generazione Avanzata) é um foguete de propelente sólido com um estágio superior opcional de combustível líquido para re-ignição e capacidade de injeção precisa. O veículo tem 29,9 metros de altura, um diâmetro principal de 3,03 metros e uma massa de decolagem de 137.000 kg. No voo dos CERES, o foguete terá em seu último estágio um adaptador-dispensador ‘CLIP’ para ejetar os satélites em órbita.

Foguete VEGA

Pesando apenas 200 kg, o CLIP suportará os três satélites. A estrutura composta de fibra de carbono, feita pela Airbus em Madrid-Barajas, é baseada em um cone truncado com altura de 1,46m e uma plataforma superior de três ‘asas’ com suportes para instalação dos satélites. Seu design leve otimiza o aproveitamento do volume disponível dentro da carenagem do lançador. Cada satélite é preso com quatro sistemas de retenção e ejeção que são acionados no momento de injetar os satélites em órbita.

O VEGA é o veículo de lançamento da Arianespace projetado para enviar pequenos satélites para a orbita terrestre baixa. Ele oferece “flexibilidade de missão a um custo acessível”. Juntamente com a família de lançadores Ariane, representa a solução europeia para acessibilidade espacial. O foguete é composto por quatro estágios, os três primeiros equipados com motores de propelente sólido e o último de propulsão líquida. Ele pode transportar uma ou várias cargas úteis com um total de até 1.500 kg em qualquer órbita em missões até uma órbita circular de 700 km. O voo inaugural do Vega ocorreu em fevereiro de 2012. Após o sucesso deste primeiro lançamento, o projeto cresceu em importância e o lançador ganhou um histórico muito bom de voos bem-sucedidos, colocando vários tipos de cargas em órbita, incluindo vários SmallSats (os chamados pequenos satélites) para vários clientes privados, institucionais e governamentais.

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