ISS passa novamente por fragmentos no espaço

Não houve, a princípio, maiores perigos

A tripulação do segmento russo da ISS refugiou-se na espaçonave Soyuz devido à aproximação de um “objeto perigoso”. O significado dessa operação foi explicado em entrevista à rádio Sputnik pelo chefe do Instituto de Política Espacial, Ivan Moiseev. Os cosmonautas russos Anton Shkaplerov e Pyotr Dubrov trabalhando na Estação Espacial Internacional (ISS), assim como o astronauta americano Mark Vande Hei refugiaram-se na espaçonave Soyuz MS-19 quando detritos espaciais passaram pela ISS, informou a RIA Novosti, citando uma transmissão da NASA. Em entrevista à rádio Sputnik, o chefe do Instituto explicou por que a espaçonave Soyuz é um lugar mais seguro para a tripulação durante o sobrevôo de detritos espaciais do que a estação. Não há confirmação se a tripulação do segmento americano fez o mesmo, refugiando-se na espaçonave Crew Dragon C210.

A estação deveria passar novamente pela nuvem de destroços às 13:37 hora de Brasília. O cosmonauta Shkaplerov tranquilizou os seguidores nas redes sociais: “Amigos, tudo está normal conosco! Continuamos trabalhando no programa”.

Órbitas do Kosmos 1408 e da ISS plotadas

“O fato é que a estação é modular, e se ocorrer uma colisão, pode ocorrer despressurização. É mais seguro estar na Soyuz. Assim, você pode desacoplar imediatamente e voltar para a Terra”, explicou Moiseev. Detritos espaciais na órbita terrestre geralmente são fragmentos de velhos foguetes e satélites. As colisões com eles bem como com micrometeoritos, ocorrem com frequência, mas geralmente não têm consequências graves para a ISS, continuou o especialista. “Já ocorreram essas colisões, e foram registradas. Há vestígios de colisões com detritos espaciais e micrometeoritos. Mas um impacto sério na estação é improvável. Normalmente, vestígios de colisões são verificados em grandes superfícies, como painéis solares e radiadores, mas eles são resistentes a esses impactos, tenho certeza”, disse Moiseev. A última vez que a tripulação da ISS teve que reagir ao aparecimento de detritos espaciais em 10 de novembro. Em seguida, uma manobra evasiva foi realizada para evitar que a estação colidisse com um fragmento do satélite chinês Fengyun-1C, que foi atingido durante um teste de ataque anti-satélite em 2007.

Há relatos de que a Rússia por sua vez realizou um teste anti-satélite (ASAT). O alvo era uma antiga espaçonave soviética de SIGINT (inteligência de sinais) da série Tselina-D. Chamada Kosmos-1408, foi lançada em 16 de setembro de 1982 às 21:31:00 do cosmódromo de Plesetsk por um foguete Tsiklon-3 (11K68), e estava desativada há décadas. Aparentemente um míssil lançado de solo atingiu o Tselina, e quatorze destroços foram rastreados. Porém, não está certo se este fato, se verídico, teve algo a ver com a nuvem de destroços pela qual a ISS passou hoje. A Kosmos 1408 estava em órbita inicial de 645 km x 679 km, com período de 97.8 minutos e inclinada em 82.5°, depois decaída para cerca de 467 x 480 km.

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