NASA quer que empresas construam seu foguete SLS pela metade do preço

… porque finalmente “o cobertor encolheu”

A agência espacial quer terceirizar seus problemas financeiros no momento em que a administração Biden imprime dinheiro para bancar a economia americana

A NASA fez um apelo aberto às empresas aeroespaciais dos EUA para ajudá-la a “maximizar a eficiência e sustentabilidade de longo prazo” de seu foguete Sistema de Lançamento Espacial – SLS, junto com todos os seus sistemas terrestres. Em resumo, a NASA quer que uma empresa encontre uma maneira de construir o SLS a 50% do preço praticado pela Boeing e continue a suportar os lançamentos governamentais até 2050, de acordo com um pedido oficial. O SLS custou quase o triplo do custo projetado de US $ 10 bilhões quando foi anunciado em 2011. Mas a Casa Branca já afirmou que o foguete custaria US $ 2 bilhões para ser lançado anualmente. Segundo a nova proposta, qualquer empresa que consiga fazer isso por US $ 1 bilhão ou menos, assumirá o projeto:

“A Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA) convida a indústria a enviar respostas a este Pedido de Informações (Request for Information – RFI) para auxiliar a NASA a maximizar a eficiência e sustentabilidade de longo prazo dos programas de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração (Exploration Systems Development – ESD), incluindo o Sistema de Lançamento Espacial (SLS ), escritório de exploração e sistemas de solo (Exploration Ground Systems – EGS) e a divisão de compartilhamento de integração de sistemnas (Cross-Program Systems Integration CSI), minimizando os custos de produção, operação e manutenção. A NASA usará as informações recebidas deste RFI em uma base de não atribuição para informar futuras aquisições para enfrentar este desafio.”

(O documento Pedido de Informações pode ser lido aqui.)

A conta chegou, para a América

A inflação americana cresceu no aumento mais acentuado em treze anos. As famílias notaram, com os preços da gasolina, materiais de construção, carros e alimentos disparando significativamente. A inflação é tida como um flagelo de solução simples, mas que o governo Biden sente que não pode pagar: cortar gastos e parar de imprimir dinheiro no Federal Reserve. Os últimos números da inflação são um sinal de alerta valioso: é o último ponto em que Biden pode pisar no freio antes do fantasma de uma inflação de 10% ou mais. Os números devem alarmar a Casa Branca ainda mais do que o relatório pífio de geração de empregos ou a crise iminente na fronteira sul. A impressão e os gastos desenfreados de dinheiro desde o início da pandemia do COVID-19 são a causa direta do pânico e é explorada por políticos que usam essa mesma pandemia como um verniz para uma “engenharia social” em larga escala. Muitos analistas preveem que os problemas econômicos só vão piorar se Biden seguir em frente com seu orçamento de US $ 6 trilhões. Washington tem imprimido e emprestado dinheiro, enquanto o Federal Reserve mantém as taxas de juros artificialmente baixas. Um aumento da taxa e o fim dos bônus para desempregados resolveriam tanto a defasagem do desemprego quanto uma potencial nova inflação. No entanto, isto é politicamente inviável. Os democratas não mostram apetite para desistir do modelo econômico radical que eles justificaram anteriormente pela pandemia – nem parecem ver o atual déficit de empregos e o aumento dos números da inflação como prioridades.

Um foguete ‘sustentável’ para um programa politicamente correto

Na onda do politica e ecologicamente correto – e principalmente pela falta de dinheiro – a agência quer um foguete “mais sustentável”: isso acontece enquanto se prepara para finalmente lançar seu primeiro SLS, que Boeing, Lockheed Martin, Northrop Grumman e Aerojet Rocketdyne foram contratadas para construir por meio de um processo de desenvolvimento longo, difícil e caro que levou mais de uma década para ser concluído. Chamado de “foguete SLS de carga pesada”, o veículo desenvolvido pela gigante aerospacial está programado lançar uma espaçonave Orion numa missão do programa Artemis em algum momento da primeira metade de 2022. Mas no recente pedido, a agência quer continuar operando com o SLS por “30 anos ou mais” em missões com financiamento oficial. A agência também quer que o novo foguete se transforme em um “sistema sustentável e acessível para transportar humanos [como a cartilha do politicamente correto convencionou chamar ‘homens’ ou ‘pessoas’] e grandes cargas úteis para destinos cislunares e no espaço profundo” de acordo com declarações chanceladas pela administração.

A NASA agora quer permanecer como um “inquilino âncora” do sistema de lançamento, com expectativa de contratar um vôo tripulado por ano, por dez ou mais anos. Mas a agência também está aberta para “comercializar” seu novo foguete para outros interesses, que podem ser federais, científicos ou mesmo comerciais. Mas, principalmente, a NASA acredita que a chave para tornar o SLS mais “sustentável” envolve não apenas compartilhar o uso do foguete para lançamentos privados, mas também encontrar um empreiteiro igualmente privado para construir e lançar os exemplares com um desconto de 50% ou mais em comparação com o a “linha de base por custo de voo” da indústria atual.

A NASA não compartilhou qual é essa “linha de base” até o momento, mas em 2019 o Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca fez uma estimativa do custo de lançar um único SLS por ano em “mais de US $ 2 bilhões”. A agência espacial não negou a estimativa, mas também não confirmou explicitamente nenhum valor aos contribuintes sobre os gastos futuros no SLS. Mas seja o que for, é o suficiente para convencer a NASA de que estes gastos futuros devem ser cortados pela metade (ou menos). Comparado a todos os outros sistemas de lançamento que a NASA usou, isso parece uma grande tarefa.

Tarefa esta que, no entanto, não é impossível. O SLS foi projetado inicialmente em 2010 e anunciado oficialmente em 2011, com a esperança de que entraria no mercado até o final de 2016, por um custo total de US$ 10 bilhões. No passado, o ex-senador da Flórida Bill Nelson disse: “Se não podemos fazer um foguete por US $ 11,5 bilhões, devemos fechar as portas.” Dez anos e 30 bilhões de dólares depois, a NASA está aberta para negócios, e Nelson é o seu administrador. Mas agora, com Nelson no comando, parece que a agência está tomando medidas para reduzir a barreira financeira para a exploração da órbita terrestre e lançamentos de naves para o espaço profundo. Supondo-se que o SLS realmente seja lançado em 2022, a NASA pode, talvez, realizar esse seu desejo.

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