Motor BE-4: A aposta arriscada de Jeff Bezos

Blue Origin pulará etapas na entrega dos motores BE-4 para a ULA

O poderoso motor BE-4 da Blue Origin está mais de quatro anos atrasado – e aqui está o porquê

por Eric Berger, Ars Technica

Depois de mais de quatro anos de atrasos frustrantes, a Blue Origin está finalmente fazendo progresso significativo para concluir o desenvolvimento de seu possante motor -foguete BE-4. No momento, engenheiros e técnicos da empresa estão montando os dois primeiros exemplares de vôo na fábrica principal em Kent, Washington.
A empresa pretende entregar esses dois motores de voo à United Launch Alliance antes do final deste ano, embora pareça cada vez mais ser uma meta “exagerada”. A entrega pode cair no início de 2022. E para cumprir esse prazo, a Blue Origin planeja dar uma etapa um tanto arriscada de enviar os motores ao seu cliente antes de concluir o teste de qualificação completo.

 Um motor-foguete BE-4 em um banco de testes no oeste do Texas

E esta entrega demorou muito para chegar. A United Launch Alliance, ou ULA, concordou pela primeira vez em comprar os motores da Blue Origin em 2014. Foi uma aposta ousada da ULA, um expoente no lançamento espacial, em um novo concorrente no mercado. Mas com o motor BE-4, o fundador da Blue Origin, Jeff Bezos, estava prometendo alto desempenho e custo relativamente baixo, com potência comparável ao motor principal [SSME] do ônibus espacial. No momento deste acordo inicial, a Blue Origin disse que o BE-4 estaria “pronto para voar” em 2017.

Engenheiros Blue Origin examinam a câmara de combustão principal do BE-4 na fábrica perto de Seattle em 2016

O atraso no desenvolvimento do BE-4 tem sido, cada vez mais, o assunto de grande interesse. Em parte, isso se deve ao fato de a ULA estar trabalhando em seu novo foguete Vulcan há vários anos, sendo esse foguete importante para o futuro da empresa. Os militares também estão ansiosos por ele, já que a ULA é a principal fornecedora de serviços de lançamento para o Departamento de Defesa, junto com a SpaceX. Eles esperam que a Vulcan forneça serviços de baixo custo com motores fabricados nos Estados Unidos. [em contraposição ao atual uso de motores Energomash russos nos Atlas V atuais] Finalmente, muitos na comunidade espacial estão genuinamente curiosos sobre a causa do atraso. Apesar deste interesse generalizado, no entanto, a Blue Origin não disse quase nada sobre o desenvolvimento do motor. Portanto, esta texto tenta fornecer algum contexto do motivo pelo qual os BE-4 estão atrasados. É baseado em fontes anônimas na sede da empresa, bem como em funcionários do setor, alguns dos quais provavelmente seriam demitidos se fossem identificados. Em resposta às perguntas para este artigo, uma porta-voz da Blue Origin, Linda Mills, ofereceu apenas uma resposta de uma única frase. “Estamos no caminho certo para entregar os motores este ano”, disse ela.

Foguete Vulcan da United Launch Alliance

De acordo com essas fontes, os motores de vôo a serem entregues à ULA, nº 1 e 2, ainda não estão totalmente montados. Mas a maioria dos componentes está construída. A boa notícia é que a Blue Origin acredita que solucionou todos os riscos técnicos significativos. Os engenheiros já testaram o motor em uma configuração próxima à dos exemplares de vôo, e tiveram um bom desempenho durante “disparos a quente” [hot-fires] que se aproximam do ciclo de trabalho de um lançamento [como parte do] primeiro estágio do Vulcan.

Apesar do seu voo turístico suborbital recente, Bezos está ficando sem tempo para salvar a Blue Origin. O plano atual envolve testar mais dois motores de desenvolvimento em suas instalações perto de Van Horn, Texas, neste outono. Eles estão próximos, mas os aparelhos não são a versão final do motor BE-4.

Após esses testes, um motor de vôo totalmente montado nº 1 será enviado ao Texas para passar por uma rodada bastante breve de testes, conhecida como teste de aceitação. Se for aprovado, conforme o esperado, ele será enviado para a ULA. Em seguida, um BE-4 virtualmente idêntico será enviado de Kent para o Texas. Este motor “qual” [qualificado] passará por uma série de testes muito mais rigorosos, conhecidos como testes de qualificação. A ideia é testa-lo para encontrar falhas. Em seguida, um processo semelhante seguirá com o motor de vôo nº 2, seguido por um segundo motor “qual”. O risco é que a ULA receba os motores de vôo antes que o teste de qualificação completo seja concluído. Este trabalho de qualificação nas bancadas de teste da Blue Origin ocorrerá simultaneamente com a ULA integrando os motores com seu primeiro foguete Vulcan para teste e, finalmente, um lançamento durante a segunda metade de 2022. Portanto, se a Blue Origin encontrar um problema de última hora com o BE-4, a ULA pode ter seu trabalho no desenvolvimento final do Vulcan seriamente afetado.

“Esta é uma abordagem orientada para o sucesso, mas [o tiro] pode definitivamente sair pela culatra”, disse uma fonte à Ars.

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Author: homemdoespacobrasil

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