Rússia: minissatélite militar não decola hoje

Foguete Soyuz 2.1v lançaria um “Razbeg”

A Rússia deixou de lançar hoje um satélite experimental para monitorar a superfície terrestre Razbeg (“decolagem”). Os avisos ‘NOTAM’s de exclusão terrestre e aérea emitidos anteriormente foram suspensos. A massa do satélite chega a 250 kg, várias vezes menor em comparação com os satélites existentes de finalidade semelhante. O Razbeg foi desenvolvido pela empresa VNIIEM para o Ministério da Defesa da Federação Russa. “O Ministério da Defesa russo confirmou a informação sobre o desenvolvimento de tal espaçonave, mas se recusou a comentar mais. A VNIIEM ainda não comentou sobre o estado do trabalho no novo satélite”, disse o jornal Ivestiya. De acordo com outra fonte da indústria o lançamento deve ser realizado a partir do cosmódromo militar de Plesetsk (região de Arkhangelsk) usando o veículo de lançamento leve Soyuz-2.1v.

Minissatélite Razberg


De acordo com o jornal, a vantagem do novo satélite é a sua compactação e baixo peso. “As tecnologias modernas permitem confiar a tais dispositivos o levantamento de recursos naturais, mesmo em resolução submétrica. O veículo está sendo para os militares russos que poderão, assim, estabelecer uma frota de satélites controlando todo o planeta por meio de apenas alguns lançamentos”, diz a publicação.

Sobre a VNIIEM
A VNIIEM Korporatisya é especializada na criação de satélites de observação óptica. Um satélite deste fabricante em particular foi perdido em um acidente espacial há anos. Devido ao acidente, o lançamento de mais dois satélites ERS produzidos pela empresa – os “Kanopus-V” nº 3 e nº 4, tiveram de ser adiados para os anos seguintes. Segundo o escritor de cosmonáutica Vitaly Egorov, as pequenas e modernas espaçonaves em breve serão capazes de competir com veículos pesados, já que seu equipamento óptico é aplicável à inteligência militar.

Satélites para levantamento da superfície terrestre com massa de cerca de 100 kg hoje em dia são capazes de obter imagens com resolução de até 0,7 m. Isso é de grande interesse para os militares, pois permite determinar os movimentos de equipamentos, veículos, pequenas formações de infantaria e a construção de fortificações de terra. Recentemente, a Progress RKTs conduziu testes de vôo do satélite leve Aist-2D e afirma desenvolver a tecnologia sob a ordem do estado. Portanto, a VNIIEM se esforça para acompanhar e desenvolver seu próprio sistema. Segundo dados abertos, o crescimento ativo no número de lançamentos de nano- (menos de 10 kg) e microssatélites (menos de 100 kg) teve início em 2013, quando quase 100 deles foram lançados em órbita. Depois disso, mais de 200 desses satélites foram lançados. Só a empresa americana Planet Labs tem uma constelação de 150 satélites de sensoriamento remoto. Este número de aparelhos possibilita o levantamento da mesma área com frequência de uma vez ao dia.

As informações sobre o desenvolvimento do EMKA estão contidas no relatório anual da corporação VNIIEM de 2016. Os planos da empresa para 2017 incluem o “lançamento de uma pequena nave experimental”. É indicado que este é um satélite tipo ERS. Outra confirmação do trabalho na EMKA é uma minuta de contrato entre a VNIIEM e a Volga-Dnepr Corporation (uma companhia aérea de carga que entrega espaçonaves e outras cargas superdimensionadas). O acordo (o jornal Izvestia obtece um documento preliminar) prevê o transporte do EMKA de Moscou para o cosmódromo de Plesetsk.

Soyuz 2.1v: Foguete convertido para cargas menores

Soyuz 2.1v

O Soyuz-2 estágio 1v é um veículo de lançamento de classe leve de dois estágios projetado para lançar espaçonaves pequenas. O veículo lançador Soyuz-2 do tipo 1v foi desenvolvido com base no Soyuz-2. 1b, com a retirada dos blocos (‘boosters’) laterais. O sistema de propulsão do primeiro estágio foi criado com base no motor de propelente líquido de câmara única desenvolvido pela SNTK Kuznetsov, usado no foguete lunar N-1 e no motor de direção RD-0110R da KB Khimavtomatika de Voronezh. O motor principal RD-0124 do segundo estágio (o “Bloco ‘I’, também herdado do Soyuz 2.1b) é também um desenvolvimento do Khimavtomatika. Para lançar uma espaçonave em uma determinada órbita especial, o Soyuz-2 .1v pode ser equipado com um estágio superior Volga.

O desenvolvimento desse foguete leve deveu-se à tendência atual de aumento da necessidade de lançamento de pequenas espaçonaves. A criação do Soyuz-2.1v utilizando a infraestrutura do Soyuz 2.1, os complexos técnicos e de lançamento existentes permitem reduzir drasticamente os custos de desenvolvimento, operação e lançamento. Para garantir a estabilidade e controlabilidade e operação dos sistemas de controle do foguete, um sistema de controle da versão 2.1b é usado com o refinamento do software e suporte matemático e uma mudança na instrumentação.

No Soyuz-2.1v, modificações foram feitas para fazer a interface com a plataforma de lançamento padrão dos Soyuz:
· Na seção superior do 1º estágio, são instalados quatro soquetes para as “lanças” de suporte da estrutura de lançamento;
· Na baia de motores, outros quatro suportes são instalados para os dispositivos de fixação da estrutura de lançamento.

Author: homemdoespacobrasil

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